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Todos nós, homens e mulheres, somos seres humanos, e como tal, conseguimos resistir a quase tudo, menos à tentação. Depois o que nos difere uns dos outros, não é uma questão de cromossomas, mas sim o facto de uns serem tentados, e outros serem tentadores.

A única tentação à qual não devemos resistir é à tentação de sermos fiéis, porque é tão rara que temos que respeitá-la...

E não se julgue que são só os homens a terem tentações, porque essa teoria não faz sentido nenhum, porque se as mulheres fossem todas fiéis, com quem é que os homens estariam a ser infiéis?

A não ser que haja por ai uma pequena minoria de ninfomaníacas, que sozinhas se encarregam de desviar todos os homens... o que eu não acredito...

Gosto de fazer as coisas à minha velocidade, mesmo que tantas vezes me procurem pôr limites. Não gosto que me imponham regras. Gosto de criar e seguir as minhas próprias regras.

Dá-me a sensação de completa liberdade e anarquia, mesmo que eu saiba que não deixa de ser uma completa ilusão, porque todos nós vivemos mediante as regras impostas pelos outros, de acordo com a cultura em que estamos inseridos.

Adiar o amor?!
Adiar o amor, não será o mesmo que adiar a vida?
Valerá a pena viver o amor na plenitude dos seus sentimentos, e das suas emoções?
Não se pode adiar o coração?

Bem... eu diria que se pode... e que algumas vezes até se deve... e outras talvez não... A verdade é que há corações urgentes, e urgências da vida que matam os corações urgentes.

Mas talvez seja o amor que nos salva... afinal, o amor não deixa de ser uma luz... que muitas vezes pode ser uma crueldade adiar. A dificuldade talvez esteja em transpor a barreira cerebral da razão.

A palavra quase pode significar próximo, perto, ou aproximadamente. Muitas pessoas conformam-se com o quase, e nem sequer procuram lutar por mais do que isso. Têm as situações quase resolvidas, são quase amigos, falam quase verdades, e dizem quase mentiras. Quem quase atinge muitas vezes sente-se feliz, só por imaginar que está quase...

Se pensarmos bem o quase a maioria das vezes significa tudo aquilo que não é, porque se dissermos por exemplo que quase ganhamos, na verdade estamos a dizer que perdemos.

Entre um quase, e um tudo, por muito pouco que falte, pode ser uma diferença do tamanho do mundo. O quase é sempre algo que está incompleto, e eu espero completar todos os meus sonhos que até hoje apenas quase tive coragem para realizar ou viver.

Os sonhos podem ser tudo, e na palavra tudo não cabe a palavra quase... ou quase não cabe... porque não se pode ser quase feliz, quase amar, ou quase sentir, quando é impossível quase existir...

Andava eu muito sossegada numa vidinha entre o escritório e casa, o que até nem me importava porque aproveitava para pôr os meus contactos em dia (de trabalho, claro), e ainda para visitar alguns blogues, quando o meu chefe veio ter comigo e me disse que estava para chegar um novo colaborador para a empresa, e que gostaria que ele passasse uns tempos comigo. Eu sorri-lhe com honestidade, e disse-lhe: "Claro, se o chefe acha que sou capaz de tomar conta de alguém..." - E ele entre dentes avisou-me: "Nada de copofonia, ouviste?"

Fiquei logo a perceber que iria ter um problema pela frente para resolver, e questionei-me se já teria chegado à fase de me acharem maternal, para me estarem a rodear de putos novos. Logo eu que já comi montes de putos imaturos... Restava-me a esperança de me surgir pela frente um puto imberbe e borbulhento, que me fizesse não pensar em actos pecaminosos.

E lá chegou o seu primeiro dia. Eu apresentei-me no escritório com uma roupa discreta, para não impressionar, e esperei confiante, inventando telefonemas à espera da chegada do novo colaborador...

"Este é o B." - disse-me o chefe exibindo-o com orgulho. E tinha razões para isso, porque eu vi logo na cara do puto a palavra PROBLEMA, e disfarcei com um cordial - "Bom dia B.".

Dei-lhe duas ou três tarefas menores para começar... uns preliminares, portanto... e no fim do dia ele perguntou-me: "Vamos jantar?". Fiquei em pânico, porque ele era um puto bem-parecido, moreno, alto, e com um lindo sorriso... Ia dizer-lhe que não? Estando ele em formação comigo? Levei-o a jantar ao Bairro Alto.

Conclusão... ando a jantar com ele há duas semanas, e ontem bebemos de mais, ao percebermos que queremos ver os mesmos concertos, e que gostamos dos mesmos filmes. Quando apanhámos o táxi e parámos à porta de minha casa, ele disse-me: "Gostava de subir para ver os teus discos". E eu levei-o comigo, e enquanto ouvíamos um CD novo, de repente ele riu-se e disse-me: "Ensina-me os preliminares"...
Agora estou com um problema... é que estou a ver que a formação vai ser longa...

A dada altura todos os meios são válidos para alcançarmos um fim... o da nossa relação. É por isso que os ciúmes me envergonham, porque a agonia dos ciúmes surpreende muita boa gente.

Há quem use preservativo e seja apanhado na mesma. Há quem use óculos e deixe de ver. E há quem seja inteligente, e mesmo assim vá à bruxa.

Os ciúmes acabam sempre por ter a ver com a intensidade da paixão. Ou com a segurança que a outra pessoa nos dá. Ou ainda com a que temos em nós mesmos...
Ninguém sai ileso, embora haja quem se saiba comportar melhor.

Eu confesso que se estiver apaixonada sou ciumenta... saudavelmente ciumenta... Que é sentir aquela dorzinha na barriga sempre que alguma gaja deixa cair qualquer coisa ao chão só para ter que apanhar de rabo espetado para o meu mais-que-tudo. E olhem que a barriga já me doeu muitas vezes, por isso sei do que falo.

O ciúme cego, que não é saudável, só se começa a manifestar em nós quando começamos a fazer coisas que nunca nos veríamos a fazer, tais como espreitar telemóveis, remexer em bolsos, apanhar olhares que na nossa cabeça só podem ser para ele, vasculhar-lhe as coisas, ou cheirá-lo e achar que ele cheira a sexo (que não o nosso). E tudo isto é feio.

Suspeito que os homens não confessam os seus ciúmes com medo que a voz lhes falhe. Já nós mulheres, é só garganta, por isso sai-nos tudo em discurso descoordenado para desfazer o nó que a dúvida emaranhou.

Nenhum homem gosta de assumir que a mulher lhe pode fazer mossa quando é cortejada por outro homem. E ela passou a dar importância ao colega que reparava nos seus pormenores, e ele acaba por asfixiar nos ciúmes que nunca teve. Acontece muito, não é?

Mas também pode acontecer o contrário. Ela nunca achou que havia razões para ter ciúmes. Era mais bonita que ele, e teimava em subestimá-lo. Um dia ele conheceu alguém como ele, e nunca mais viu beleza nela.

Desprezar os ciúmes é mau, mas tornarmo-nos desprezíveis por causa deles é capaz de ser pior. Por isso, entre homens e mulheres venha o ciúme e escolha.

Paris é uma cidade romântica, onde se sente o amor no ar ao percorrer as suas ruas e avenidas. Namorar em Paris é como incendiar o amor. Paris tem "quelque chose" que "je ne sais quoi"...

Quem resiste a Montmartre, ao Carrousel, a comer um "crêpe au chocolat" no meio da rua, a beber qualquer coisa num bar em St.Michel...

Quem resiste a um passeio no Sena, a uma subida à Torre Eiffel, à vista do Sacre Coeur, a percorrer o Louvre, ou a namorar nos jardins parisienses...
Um dia destes peguei na "mochila" e "lá fui eu..."

"Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor, como as outras, ridículas. As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas. Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas. Quem me dera o tempo em que escrevia sem dar por isso cartas de amor ridículas. A verdade é que hoje as minhas memórias dessas cartas de amor é que são ridículas..."

Álvaro de Campos

Afinal o que são, e o que valem as palavras que escrevemos, ou as cartas de amor?
Normalmente confundem-se as palavras com os sentimentos que queremos transmitir, e muitas vezes não sabemos como o passar para o papel. Assim, aquilo que escrevemos pode tornar-se numa amálgama de palavras sem sentido que perduram no tempo, e onde o sentimento de um breve instante fica gravado nas palavras escritas em um dado momento.

Muitas vezes quando escrevemos acabamos por cair em estereótipos, dizendo o que não é preciso dizer, e onde apenas reforçamos em palavras escritas coisas que sabemos sentir, tentando transmitir sensações como o toque, o cheiro, a visão, o sabor, e a audição de dois corpos em fusão...

Escrever a maioria das vezes apenas serve para repetirmos a alguém aquilo que sempre lhe dissemos, e que ambos sabemos. A minha ambição é um dia tentar escrever uma carta de amor, que mostre que é possível duas pessoas amarem-se de verdade, sem que para isso seja necessário escrever cartas de amor que sejam perfeitas... belas... cheias de sentimentos, luzes ou cores...