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As lágrimas são a máxima expressão de cada um de nós. Elas simbolizam os extremos da construção, e da destruição do Homem. Elas exteriorizam as emoções de sentimentos opostos. As lágrimas são um encontro connosco, e com a nossa própria sensibilidade. Não são um exclusivo da dor ou do prazer... da vitória ou da derrota... Elas são a demonstração da nossa capacidade de nos emocionarmos connosco e com os outros.

Na sua generalidade até gosto de lágrimas, mas também há aquelas que eu simplesmente não suporto. Essas são as lágrimas traidoras... as lágrimas lamechas... que normalmente surgem no fracasso, ou em alguém que foi suficientemente presunçoso para só ser capaz de conceber no seu horizonte o sucesso. As lágrimas são a base de onde irradia o respeito... são o Sol do relacionamento humano...

Se há coisa difícil de aprender é a guardar segredos. É que às vezes são tão apetecíveis, que somos tentados a ter vontade de os partilhar... o que é um erro, claro, porque a partilha da intimidade é tão rara que temos e devemos preservá-la. Mas vamos ao segredo?

Tenho uns amigos que são swingers. O assunto só é sigiloso porque no círculo dos amigos mais chegados ninguém sabe. Mas entre nós o tema não é tabu, e cada vez que estamos juntos pergunto-lhes: "Têm conhecido alguém interessante? E como era ela? E ele? E conversam muito? E ficam a ver? E foi toda a noite?".Todas as perguntas são válidas para quem está de fora, porque todos nós temos as nossas próprias fantasias, e por isso todos nós swingamos. E como as nossas próprias fantasias normalmente não são fáceis de concretizar, acabam por ficar a swingar nas nossas mentes. O swing arrepia para quem está de fora, não é?

Mas falar sobre este assunto com estes meus amigos tornou-se quase natural. Um dia até me enviaram um link de um site para eu espreitar. E posso-vos dizer que o que por lá encontrei nada tinha de bonito... Nomes mirabolantes encabeçavam pequenos textos a anunciar o que cada um pretendia, mas o pior mesmo era a galeria de fotos... um verdadeiro amontoado de mamas e pilas grandes, penetrações e bocas cheias.

Também gostei de saber que as mulheres são muitas vezes "bi", mas os homens são sempre "hetero"!!! Ou seja, nem a esta modernice do swing escapa o machismo, porque giro é ficar a ver duas mulheres a lamberem-se, mas homem que é homem nunca deve ser lambuzado por outro. Tendo em conta o que sei (e só posso falar pelo que os meus amigos me contam), não me apetece experimentar... lamento.

Por vezes a rotina e a saturação levam-nos a procurar outros caminhos da salvação (ou perdição?), mas a verdade é que esta abertura pode ser labiríntica.
Afinal, não será o swing uma fuga ao amor?

Quem não gostaria de ser imune à dor?
A dor é tramada, e a pior dor é aquela que sobe e desce entre a garganta e o peito, e que me tira o sono (infelizmente nunca me tirou o apetite)... é uma dor insuportável.
A dor que me dói mais é a da incompreensão, tipo ficar no meio da rua a perguntar "porquê?", e continuar lá sem obter uma resposta.

A última vez que sofri a sério, chorei lágrimas em quantidade que não julgaria possível. E eu até gosto de chorar... choro, e pronto, renasço. Mas chorar pela dor da paixão é diferente de todas as outras dores, porque parece que nunca vai acabar, e que na manhã seguinte teremos mais uma ruga ou um cabelo branco.

A dor é impossível de se aturar, e quando se está a sofrer de amor, a única coisa boa é sabermos que é impossível sentirmo-nos pior, e que portanto o que quer que venha a seguir será sempre melhor. Hoje aconteceu-me olhar para uma das únicas pessoas que me deixaram no meio da rua a perguntar "porquê?", e de facto continuo a perguntar-me porquê? - Porque é que gostei dele?

E foi assim que cheguei à conclusão que todos nós sobrevivemos à dor de um coração despedaçado, porque as dores de amor passam, e nada têm de afrodisíaco, porque quando estamos a sofrer de amor, achamos que nunca mais ninguém nos vai satisfazer sexualmente tanto como a pessoa que nos acabou de deixar. Mas é mentira. É preciso é nunca deixar de tentar, e às vezes até faz bem enganar a dor com um "aqui vai disto" mais ou menos às cegas... e assim um dia, quase sem querer, deixamos de sofrer.

A minha vida era bem capaz de dar um lápis. E digo-vos que já experimentei andar para aí a riscar e o resultado foi escandaloso, e nem todos os lápis estariam para isso, porque os mais macios partem-se com facilidade, e os mais rijos fartam-se de ferir o papel. É um desespero, porque depois nem todas as borrachas servem para emendar, algumas ainda borram mais do que apagam, e outras estragam completamente a folha.

O lápis da minha vida é um autêntico camaleão, porque não consigo fixar-lhe a cor. Se bem que o azul seja o que mais calha, embora o amarelo também se farte de aparecer, o verde é mais raro, mas o vermelho e o castanho aparecem quando mais preciso de ter os pés bem assentes no chão.

A vida de qualquer um de nós dava um lápis, de diferentes cores, e com riscos finos ou grossos. Por isso, risquem muito, mas fiquem-se pelo lápis que sempre é mais simpático, porque pelo menos pode riscar da maneira que cada um de nós quiser.

A vida reserva-nos muitas surpresas, só não sei se vale sempre a pena aguardar por elas. Então quando se referem ao amor... sinceramente não acredito que o amor seja a escolha de quem quer a felicidade, porque muitas vezes, ou até mesmo a maioria das vezes, o amor e o sofrimento andam de mãos dadas.

São tantos os sofrimentos que sentimos quando amamos, que não acredito em quem diz que amar não faz sofrer, porque quem ama sofre, e sofre muito... um sofrimento tão grande quanto o amor que sente.

Com o avançar da idade vamos amadurecendo, e isso permite-nos criar a virtude de irmos sofrendo com paz, com resignação, com renúncia, e com equilíbrio interior. Quando assim é o sofrimento faz-se com menos amargura, com menos lamentações, com menos vazios, com menos dor, e com menos desespero. Porque há dores muito intensas no amor, como a dor da separação, a dor da saudade, ou a dor da incerteza... São dores demasiado cruéis.

Então eu pergunto: Como vamos fazer escolhas? Porque o amor não é uma escolha, simplesmente acontece, está lá, e só o amor é capaz de curar as dores do amor. Por isso podemos até conseguir ser felizes, mas vamos estar sempre a sofrer... por amor...

Sei de cor cada lugar teu. Atado em mim, a cada lugar meu. Tento entender o rumo que a vida nos faz tomar, tento esquecer a mágoa, e guardar só o que é bom de guardar.

Pensa em mim protege o que eu te dou. Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou, sem ter defesas que me façam falhar nesse lugar mais dentro, onde só chega quem não tem medo de naufragar.

Fica em mim que hoje o tempo dói, como se arrancassem tudo o que já foi, e até o que virá e até o que eu sonhei. Diz-me que vais guardar e abraçar tudo o que eu te dei.

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos, e o mundo nos leve para longe de nós, e que um dia o tempo pareça perdido, e tudo se desfaça num gesto só.

Eu vou guardar cada lugar teu. Ancorado em cada lugar meu, e hoje apenas isso me faz acreditar que eu vou chegar contigo onde só chega quem não tem medo de naufragar.

Tema: "Cada Lugar Teu" - Mafalda Veiga