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Há filmes que marcam para sempre a nossa vida... Um deles, é um filme que considero belíssimo, e que é uma história de amor revisitada. "Antes de Anoitecer" é uma lição de vida e uma reflexão profunda sobre o mais importante sentimento humano, o único que nos pode transportar para outra dimensão e mudar-nos para sempre.

Faz-nos pensar que a juventude nos dá tudo o que precisamos, mas não a clarividência de agarrar o mais importante, porque não temos ainda capacidade de avaliar a raridade e a beleza de um verdadeiro amor.

"Ele, um americano tranquilo vai a Paris e encontra-a a ela, com quem teve uma aventura de uma noite numa viagem pela Europa há dez anos e cujo contacto perdeu desde então. Durante um longo final de tarde os dois antigos amantes passeiam pela cidade e recordam essa noite mágica, e como ela mudou a vida de cada um.

Ele casou com uma colega de faculdade por quem não está, nem nunca esteve apaixonado, enquanto ela foi coleccionando namorados à distância, porque nunca mais conseguiu envolver-se seriamente com outro homem. Ele continuou a ser um rapaz tímido e sonhador, ela uma aventureira temerária preocupada com as injustijas do mundo.

Ele vai adiando a cada passo o regresso ao aeroporto e acaba por ficar com ela. A última cena do filme é uma das mais belas e românticas que já vi. No apartamento dela, ele enterra-se num sofá do qual percebemos que não voltará a sair enquanto olha para ela que prepara um chá e imita Nina Simone..."

Gosto de rever o filme com as pessoas de quem mais gosto, na esperança que este seja um sinal subtil mas inequívoco do caminho que podem seguir. Gosto de imaginar que aqueles dois podemos ser todos nós, homens e mulheres, que tantas vezes precisam de dar a volta ao mundo para encontrar, ou reencontrar, o caminho da sua felicidade. Gosto de sonhar que um dia, numa cidade qualquer, irei encontrar a rapariga que me roubou o coração, e desde então, não sabe o que fazer comigo.

Imagino-a a aproximar-se devagar, silenciosa e com um sorriso pendurado na cara como quem pede desculpas pela demora, a pedir-me para a levar a casa onde iremos beber um chá e ouvir Nina Simone para sempre...

Ora aqui está uma oportunidade para nos esclarecermos, mas também para esclarecer os menos conhecedores da natureza feminina. As mulheres, quando estão chateadas, não é só por:

- Estarem com o período...
- Andarem a ser nada... pouco... ou mal fodidas...
- Não terem ainda conseguido comprar todos os sapatos giros existentes no mundo...

Há outras razões (quando me lembrar quais são, volto cá)

Vou buscá-las à escola, já é fim da tarde... o dia passa tão depressa!!!
Atravesso o portão da escola, chego ao recreio, e lá estão elas, distraídas entre uma correria e uma conversa com as amiguinhas da sala. Por momentos perco-me a observar aquelas amostras de gente, e apetece-me ter outra vez quatro anos.
Elas demoram até me achar o olhar... o meu olhar de saudade e de mimo de pai, e então quando me vêm, os seus olhos acendem-se em mil luzinhas, e correm com os braços estendidos para abraçar as minhas pernas, e se enroscarem nelas.

Às vezes dizem-me baixinho, para ninguém ouvir, que tinham tantas, tantas, tantas saudades de mim, fecham os olhos quando as abraço, e dão-me as mãos pequeninas... que vêm quase sempre imundas...
Com quatro anos o mundo são três casas, meia dúzia de adultos, e outras tantas crianças. A "Erika", e a "Anneliese" são seres fascinantes, a sopa é sempre uma chatice, e as gomas uma maravilha. Nunca é tarde para irem dormir, nem cedo para se levantarem. O quarto delas tem muitos brinquedos, mas a cama do papá é que é boa, porque está sempre muito quentinha. Não gostam de lavar a cabeça, porque o champô arde-lhes nos olhos...
...o nosso pai diz-nos para inclinarmos a cabeça para trás, mas nós sabemos lá o que é isso... só temos quatro anos...
O que sabemos é que os nossos triciclos são verdadeiros Fórmula 1, que o nosso pai é o mais querido, e que há muitos dias que não fazemos chi-chi na cama.
Sabemos também que este ano mascarámo-nos de Fadas, e apetecia-nos voar, salvar os bonzinhos, e bater nos maus...
Sabemos que não nos deixaram vestir mais os fatos depois do carnaval, explicaram-nos que já tinha acabado, que agora só para o ano... mas nós não sabemos o que é para o ano, e os fatos continuam pendurados no armário à nossa espera, e todos os dias nos piscam o olho... e é por isso que no outro dia íamos a pensar nestas coisas todas no carro a caminho da escola, e perguntámos:
"Ó papá, se nós ficarmos muito, muito contentes, crescem-nos umas asas?"

O nosso papá olhou para nós com aquele olhar doce, que faz dele o pai mais lindo do mundo, e respondeu-nos, que o corpo não voa, mas que o espírito pode sempre voar e ir para onde nós quisermos.
Nós não sabemos o que é o espírito, nunca o vimos, mas apetecia-nos mesmo voar. O papá já nos disse que só os pássaros é que voam, mas nós sabemos que há uns meninos com umas asas nas costas, que vivem no céu, mas passam a vida a vir cá abaixo proteger os outros meninos que não têm asas. E deve ser por isso... por nós querermos voar como esses meninos, que no outro dia uma amiga do papá olhou para nós e disse:
"As tuas filhas são metade princesas, e metade anjos"
Nós não nos importávamos de ser princesas, mas o que nós gostávamos mesmo era de ter asas e voar...

A Páscoa representa o que pode nascer e vir a ser... por isso devemos adoçar as nossas vidas com boas ideias, que possam germinar em novos amores. Acreditar nessa simples possibilidade já faz da Páscoa um momento super feliz.

A ideia de que as nossas esperanças se renovam em datas festivas carregadas de tantos significados deixa-nos mais solidários, alegres, e naturalmente procuramos partilhar essa alegria.

Como a Páscoa é ressurreição, é renascimento, nada melhor, do que esta época, para vos deixar aqui uma lindíssima história de amor, que não deixa de ter um grande significado, e que tem contida nela uma grande lição de vida.


Era uma vez um rapaz de pensamentos e posses simples, que se apaixonou por uma rapariga muito bonita. Ela tinha tudo o que a ele lhe faltava: graça, inteligência, popularidade, brilho e mistério.
Ela era bonita, ele era igual a tantos outros. Ela era alegre e divertida, ele era tímido e metido consigo mesmo. Ela era fogosa e provocadora, ele parecia uma mosca morta. Ela tinha graça quando andava, ele parecia que tinha os sapatos pequenos para os pés. Ela tinha a força do sol, ele era a sombra da lua. Ela não gostava de ninguém... e ele gostava dela.

Um dia ele declarou-lhe o seu amor, e ela riu-se dele. Então, ele ajoelhou-se aos pés dela e jurou-lhe amor eterno. Ela riu-se outra vez, e respondeu-lhe com desprezo: "amor eterno? Isso não existe". Mas ele não desistiu. Queria amá-la para sempre, e estava disposto a honrar o seu amor por ela.

Então ela olhou para ele com mais atenção, e pensou que até o poderia amar um dia, e lançou-lhe um desafio. Durante cem dias, e cem noites, ele teria de ficar debaixo da sua janela, à sua espera. Fizesse chuva, ou fizesse sol, caísse neve ou trovoada, noite e dia, dia e noite. Cem dias, e cem noites... se ele aguentasse tanto tempo, então seria porque mereceria o seu amor. O rapaz ficou com o coração cheio de esperança. Cem dias era um preço baixo a pagar para ter a sua amada. O tempo iria voar, tinha a certeza.

No dia seguinte, lá foi ele para debaixo da janela dela. Esperou que ela aparecesse, e acenou-lhe quando a viu espreitar por entre as cortinas. O mesmo aconteceu na segunda noite, e na terceira, e na quarta, e em todas as noites que se seguiram. Todos os dias, a qualquer hora, lá estava ele à espera de um sinal dela, para lhe mostrar que estava ali, de pedra e cal à espera de merecer o seu amor. Entretanto, o Verão acabou, e chegou o frio, depois a chuva, depois a neve, e o rapaz sempre lá debaixo da janela dela, à espera que ela o espreitasse pelas cortinas, para lhe mostrar que estava ali, a cumprir a sua promessa.

Nunca durante todos esses dias ela abriu a janela para o saudar, nunca lhe abriu a porta e o convidou a entrar e descansar um pouco, nunca lhe ofereceu um sorriso, uma palavra, um instante de atenção. Mas ele continuava lá, agora já cansado, enregelado pelo frio, ferido pela indiferença dela, desgastado pelo vento e pela chuva, faminto, triste, sentindo-se cada vez mais só...

Na nonagésima nona noite ele esperou mais uma vez por ela, e mais uma vez ela não apareceu. O rapaz abanou a cabeça, sentou-se no passeio, e chorou durante muito tempo. Tanto tempo que a noite passou, e o dia começou a nascer. Tantas horas de espera, tantos sonhos, tanto amor para dar, e afinal não valeu a pena. A rapariga continuava a ignorá-lo, e a fazer troça do seu amor. Sentado no passeio, chorou, viu o seu amor diluir-se, e sentiu que a sua paixão não era nada.

Foi então que o rapaz percebeu, que não era ele que não era digno do amor dela. Ela é que não merecia o amor dele. Percebeu que tudo que ele amava naquela rapariga era uma ilusão, e que não existia. Percebeu que o seu esforço só lhe tinha servido para aprender a conhecer-se, e a aceitar-se melhor a si próprio. Percebeu que era um homem livre. E no dia seguinte, quando ela abriu a porta para se entregar a ele, rendida por tanto amor e paixão, ele tinha-se ido embora...



Páscoa feliz para todos

Damo-nos mal... Fodemos bem e fodemos mal, mas nunca nos damos bem. Estamos sempre a foder, ou a recuperar, ou a prepararmo-nos para foder. Em nada afecta o nosso amor. Tanto suspirámos como arfámos, tanto dizemos carinhos como palavrões, é-nos igual. A coisa funciona sozinha. Se exigisse algum esforço da nossa parte, fracassaria. É a consolação que nos resta. O amor é fodido, mas foder também...

Somos o avesso um do outro...
Quando duvido e paro, tu segues em frente.
Quando tenho medo, tu tens vontade.
Quando sonhas, eu pego nos teus sonhos e torno-os realidade.
Quando te entristeces, e te fechas numa concha, eu choro para o mundo.
Quando não sabes o que queres, esperas e eu escolho por ti.
Quando alguém te empurra tu foges, e eu deixo-me ir.
Somos o avesso um do outro...
Iguais por fora, ao contrário por dentro.
Mas como duas metades teimosas, vivemos de costas voltadas um para o outro.
Tu sempre à espera que eu me vire e te abrace, e eu sempre à espera que a vida me traga um sinal, me aponte um caminho...

Eu a convencer-te que gostas de mim,
Tu a convenceres-te que não é bem assim.
Eu a mostrar-te o meu lado mais puro,
Tu a argumentares os teus inevitáveis.

Eras tu a dançares em pleno dia,
E eu encostado como quem não vê.
Eras tu a falar para esconder a saudade,
E eu a esconder-me do que não se dizia.

Afinal...
Quebramos os dois...

Desviando os olhos por sentir a verdade,
Juravas a certeza da mentira,
Mas sem queimar de mais,
Sem querer extinguir o que já se sabia.

Eu fugia do toque como do cheiro,
Por saber que era o fim da roupa vestida,
Que inventara no meio do escuro onde estava,
Por ver o desespero na cor que trazias.

Afinal...
Quebramos os dois...

Era eu a despir-te do que era pequeno,
Tu a puxar-me para um lado mais perto,
Onde se contam histórias que nos atam,
Ao silêncio dos lábios que nos mata.

Eras tu a ficar por não saberes partir,
E eu a rezar para que desaparecesses,
Era eu a rezar para que ficasses,
Tu a ficares enquanto saías.

Não nos tocamos enquanto saías,
Não nos tocamos enquanto saímos,
Não nos tocamos e vamos fugindo,
Porque quebramos como crianças.

Afinal...
Quebramos os dois...

Sobram-me palavras, porque as palavras são as únicas que nunca falham, alimentam os sonhos e sustentam os dias quando nada mais há do que o silêncio.
O amor é um mistério que se pode solidificar numa relação quase perfeita, ou evaporar-se com o tempo e a distância.
Estou cansado de sonhar, de te querer e não te ter, de nunca saber se pensas ou não em mim, se à noite adormeces com saudades no peito ou te deitas com outros.
Depois de todas as palavras, fiquei sem armas e sem forças.
Sobra-me apenas a certeza de que nada ficou por fazer, muito pouco por dizer, e que os sonhos nunca se perdem, apenas se gastam com a erosão do tempo e do silêncio.

Inspirado no tema "Quebramos os dois" dos Toranja