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Mostrarmo-nos aos outros como somos, sem jogos, e despindo todas as máscaras, implica sempre a verdade, que muitas vezes é um destruir de todas as nossas barreiras e protecções que construímos para nos proteger.

Isso seria abandonar definitivamente a cara vazia que nos habituamos a mostrar em sociedade, e para isso é necessária muita coragem, porque nos sujeitamos a uma exposição sem limites, e a nossa sociedade educou-nos para todos sermos actores em algumas situações da nossa vida. Crescemos a mostrarmo-nos como pensamos que os outros querem que nós sejamos... quem de nós ainda não viveu uma situação assim? Mas aquilo que eu questiono muitas vezes nem é tanto se os outros nos conhecem, mas mais se nós nos conhecemos a nós mesmos...

Penso que nunca nos conhecemos, nem deixamos que os outros verdadeiramente nos conheçam. Estamos sempre a usar máscaras umas sobre as outras, e às vezes deixamos cair algumas delas, ou porque nos encontramos mais fragilizados, ou porque as situações nos levam a isso.

Por isso é muito difícil conhecer profundamente alguém, porque à medida que vamos conhecendo melhor uma pessoa, acabamos sempre por ser surpreendidos por algo que desconhecíamos... por algo que nos escapara até aí. Umas vezes surpreendemo-nos pela positiva, e outras pela negativa, e assim estamos continuamente à descoberta. A descoberta é sempre fascinante, embora muitas vezes se corra o risco de ao tentar interpretar aquilo que descobrimos, acabarmos por o percepcionar de forma diferente, e os outros em relação a nós também caem nesse erro muitas vezes.

Eu diria que é muito difícil tornarmo-nos completamente transparentes, e quanto mais adultos nos tornamos, mais máscaras usamos, por isso tenho saudades da minha idade de inocência, em que podia ser genuíno, sem que me avaliassem, ou catalogassem. Só nessa fase da vida é que podemos ser nós próprios em todas as situações, só enquanto somos crianças é que os outros nos mostram a sua verdadeira essência, e por isso só por essa altura é que nós podemos ter a certeza de quem temos à nossa frente.

Depois... à medida que vamos crescendo... a vida vai-nos dando motivos, e mais motivos, que nos vão obrigando a camuflar... a usar cada vez mais máscaras, e cada vez mais sofisticadas.

16 Comments:

  1. Parapeito said...
    ..Existem as máscaras...mas o que conta mesmo é a essencia..aquela que o coração guarda....Depois eu gosto que as pessoas me surpreendam... (tenho tido sorte ) :))
    Um abraço***
    Maria, Simplesmente said...
    Escreveste o que eu também sinto.
    Depois de ter vivido tanto, ter conhecido tanto, ter sentido na pele tanta dor por tanta desilusão,
    sei por vezes que estou demasiado exposta e lembro-me desta frase de minha mãe:"desconfia sempre de quem ao falar contigo não te olhar nos olhos..."
    Mais tarde compreendi essa frase, hoje penso: como olhar nos olhos aqueles que estão protegidos por uma máscara de vidro e se atrevem a insultar quem os respeita?
    Mas eu... não me fecho... podes crer que não.
    Sei do que estás a falar... podes crer que sei.
    Bj
    Maria
    Oliver Pickwick said...
    O que seria da humanidade sem as máscaras? Dispensá-las é uma utipia.
    Um abraço!
    Maria, Simplesmente said...
    Pois é, não será difícil ser Rei na solidão... mas ser Rei dum reino em que mais ninguém existe para amenizar tudo o que de bom ou de mau suceder a esse Rei, que não escolheu governar assim, tão solitário... podes crer que é difícil.
    Mas o reino existe e o Rei tem de caminhar até que acabe aquilo para que foi destinado e não consegue compreeende o que é.
    Desculpa mas apeteceu-me responder aquele comentário.
    Maria
    alfabeta said...
    Já fiz um post sobre este assunto e subscrevo.
    Eu uso máscaras para me proteger, quando as pessoas sabem demais da nossa vida , um dia usam o que sabem para nos magoar ou contam para mais alguém, por isso só conto o que não me vai prejudicar e tudo isto porquê?
    Porque já me magoaram muito.
    Mel said...
    Art, como vai?
    Estive lendo algo hoje sobre como somos, nossa personalidade... E devemos lembrar que não somos apenas isso ou aquilo, mas também isso e aquilo!
    Somos também as nossas sombras, muitas vezes deixadas de lado, talvez, essas máscaras que dizes.
    Beijos!
    Sir Stephen e SUA maria{SS} said...
    adorei o nome do seu blog... porque conheço blogs de coisas que não existem, mas que as pessoas pensam tanto que são reais... que talvez até existam... *risos
    e aí as máscaras têm tudo a ver, porque elas são totalmente coladas aos indivíduoas nessas blogesferas.
    aqui, é muito mais difícil separar a essência da máscara!
    beijinhos

    maria{SS}
    Maria, Simplesmente said...
    Não leves a mal eu ter pegado neste assunto para escrever aquele texto, mas "a idade da inocência" e as máscaras ontem dançaram muito na minha frente e a atitude que descrevi fez-me pensar se há realmente essa idade.
    Sempre odiei máscaras, e agora então estou numa fase em que não percebo o que se passa.
    Maria
    Késia Maximiano said...
    Tudo é uma questão de dosagem, não é mesmo?
    Se expor é bem mais q se transpor...

    Existem momentos de se usar mascaras...
    Miriamdomar said...
    Em pequena,diziam-me muitas vezes que a vida era um palco!
    Mas se imaginassem o que a vida seria, de certeza que diziam que agora era um circo!
    Reconheço que existem pessoas que usam várias máscaras ao mesmo tempo ,com uma facilidade incrivel!
    Mas essas pessoas ,mais tarde ou mais cedo, são desmascaradas!
    E por causa dessas pessoas, as outras, têm de se proteger,resguardar, preservar o seu eu!
    Isso , eu já não considero máscara mas sim sensatez!
    Bom fim de semana!
    Bjo
    bela said...
    Este post faz me lembrar o meu ultimo. Se quiseres passa no meu blog.
    C Valente said...
    Cada vez o cerco se aproxima da zona do PC, A resistência é fraca mas vai aguentando a invasão. Obras a quanto obrigas
    Sempre, Saudações amigas
    Jay Dee said...
    Tens toda a razão. Infelizmente é mesmo assim. E há dias em que me farto e me apetece mandar tudo ao ar e desmanchar todas as máscaras... mas há alturas em que não pode ser...
    nOgS said...
    E, mesmo assim, as piores máscaras são as que, por vezes, temos para nós próprios.

    BeijO
    Erotic Spirit said...
    I like to think I do not have masks, prefer to think that I have learned to adjust and control reactions, its kind like be honest or shut up.

    Have the courage to real :)
    the reason is you said...
    Máscaras: sem dúvida que as usamos... completamente impossível mostrarmo-nos tal e qual como somos, com as nossas fraquezas, os nossos segredos, os nossos sentimentos e pensamentos... as nossas incertezas.
    Com receio de não sermos aceites como somos de verdade (o que muitas vezes acontece), criamos defesas, e assim vivemos connosco e com os outros.

    Excelentes textos!

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