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Não sou amarga, por mais que me contrariem o coração. Sou apreciadora de homens com sensibilidade, e com bom senso, embora normalmente o bom senso seja muito relativo...

Desde muito nova que me apaixono com facilidade, por isso decidi trocar o termo "paixão" por "fascínio", porque me fascino com tudo o que as pessoas têm para me mostrar, e com tudo o que lhes posso conquistar. Gosto desta luta, que por vezes se assemelha à improbabilidade de encontrar uma casa de banho limpa num festival de Verão.

Uma desta noites sentados na mesa de um bar, e com a vista mais bonita com que poderia sonhar como pano de fundo, ele por quem me sentia apaixonada, disse-me:
"É estranho, mas eu nunca me senti tão à vontade a falar com ninguém como contigo"
E eu perguntei: "E isso é bom, ou mau?"
Ele respondeu-me: "É assustador"

Depois dele me dizer isto a música do bar parou, e os empregados limparam os últimos copos. Então eu quase a cambalear levantei-me, fui até ao balcão, e ajudada por tudo o que tinha bebido e ouvido, dirigi-me ao barman e disse-lhe: "Eu percebo que queiram todos ir para casa descansar, mas não parem a música, para não me pararem este momento"

Voltei à mesa dos copos vazios, de todas as palavras que ele ainda não me tinha dito, e de todas as confissões, e voltamos a ouvir a banda sonora da noite, que por acaso era péssima devo dizer, mas o que quer que fosse teria soado bem naquela noite. Saímos do bar directos para o carro, de mão dada, e unidos pela paixão. Ele deixou-me em casa e fui dormir. Nunca mais estive com ele...!!!

Vejo-o muitas vezes, ele sorri-me a medo, e eu procuro nem olhar para ele. Quando estou acompanhada, ele arrisca em vir dar-me um beijo, porque sabe que assim não corre o perigo de eu o questionar. Vem com o seu ar "politicamente correcto" e pergunta-me: "Estás boa?". Depois afasta-se confiante, e com a sensação de ter cumprido o seu papel.

Deve pensar que eu acho que ele até é um gajo porreiro... e até acho, só que para mim um gajo porreiro é uma coisinha insuficiente, porque na minha avaliação, seja de uma queca, ou de um amor, a positiva só começa a partir da coragem.

Não percebo como ele pode ter sido tão cobarde, e há de certeza quem ache que eu deveria vingar-me dele, enxovalhá-lo, ou desprezá-lo num momento "politicamente correcto", mas eu nunca lhe faria uma coisa dessas, porque a vingança é uma motivação muito perigosa, por isso prefiro sorrir, sabendo que um dia ele vai lembrar-se de mim quando precisar de coragem.
A coragem só podia ser mesmo uma palavra feminina...

4 Comments:

  1. foryou said...
    Acho que não era suposto eu comentar este texto, mas apetece-me, portanto que se lixe.

    Abordaste aí uma questão que no fundo me parece ser a razão para a conclusão: segurança/confiança.
    Foi exactamente isso que me chamou a atenção neste texto. É que desde cedo me apercebi que quanto mais segura e confiante me sentia em mim mesma, mais se assustava quem me rodeava.
    Especificamente em relação aos homens, não sei se é por aquela velha máxima "a mulher é sensível, frágil e chorona, o homem é forte e protector". Não deixo de ser sensível, não sou chorona e a minha fragilidade não corresponde aos padrões. Acho que exactamente por isso, assustei muitas vezes. Mas aí acho que estamos as duas de acordo: se quando se sente assustado foge, então de certeza não faz o meu género. É que a coragem não corresponde a quem não sente medo, mas a quem é capaz de lhe fazer frente e isso é algo que admiro em qualquer homem.

    Vingança... é motivação?... se calhar é, mas dispenso. Acho-a uma perda do meu precioso tempo de vida.
    Å®t Øf £övë said...
    Dark,
    Ter coragem é sentir... ter coragem é amar... ter coragem é dizer... fazer... ousar. Mas não ousar por ousar, nem dizer por dizer.
    Ter coragem, é ter a capacidade de nos aventurarmos, de enfrentarmos todos os perigos, medos, ou dificuldades.
    Ter coragem, é pôr o coração naquilo que se faz.
    Talvez por tudo isto haja tanta gente com falta de coragem, porque é preciso coragem para se ter coragem.
    Beijinhos.
    GONIO said...
    Gostei particularmente desta frase: "É estranho, mas eu nunca me senti tão à vontade a falar com ninguém como contigo"
    Será assustador sentir isto, mas é maravilhoso sentir esse à-vontade, essa proximidade, essas barreiras caídas. Faz-nos sentir mais pessoas, mais próximos. Talvez vulneráveis, mas há sempre uma identificação quando há esse à-vontade.
    Muitas vezes dá medo ter essa sensação. Mas sinto que sou mais querido quando sou assim à vontade. Porque não há barreiras, porque não há máscaras. Porque sou eu.
    Essa confiança, essa quase nudez psicológica, sabe tão bem.
    Anónimo said...
    Perguntador disse...
    Estranho, porque não tem ele coragem de se atirar a ti?
    Beijoca

    30 Abril, 2008 00:57


    Nogs disse...
    Ena...

    Sabes sou um pouco como tu, vivo fascinada demais... E também não me contento com um ok, suficiente...

    Mas é suposto um suficiente estar bem?

    Não. para mim não. Força aí.
    Mais fascínios aparecerão.


    Beijos

    29 Maio, 2008 18:05

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