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O País tem estado em alerta devido à tempestade que temos tido, e eu consegui chegar a casa sequinha, porque a tempestade protege sempre as tempestuosas como eu. Gosto de chegar a casa e encontrar o calor do lar, que tem sempre para mim o sabor de reconciliação com o mundo. Mesmo eu que tanto gosto de fazer faísca, não prescindo desse conforto.

Mergulhei na banheira, que enchi de espuma, e estranhamente, pela primeira vez desde que moro neste prédio, comecei a ouvir os risinhos da minha vizinha. Eu nunca tinha ouvido a rapariga a rir!!! Mas mal eu sabia que era apenas e só o princípio da tempestade...

Ela vive com um gajo por quem eu não tenho grande empatia. Ele é esforçado, mas eu chuto-o para canto. Quando os risinhos começaram eu estava a brincar com o patinho de borracha na banheira... e risinho puxa risinho (enquanto o tempo puxava chuva), e o gajo deve ter começado a puxar por ela... ela parecia um trovão a abanar as janelas... ofegante e torrencial, gritando... "sim e sim e siiiiiiiim!!!"

E não pensem que a cena foi nuvem passageira. Não... a tempestade parecia da grossa (se me permitem a expressão). A vizinha estava a ser duramente fustigada pelo dilúvio, e eu ali a espumar-me de raiva, com o patinho já murcho de tanto banho.

Das duas, uma: ou entre eles só há faísca em dias de tempestade, ou era o tempo que trazia até minha casa o eco deles. Nessa noite quase adormeci na banheira, e até aproveitei o barulho dos outros para fazer o meu...

Será que de mim também ficaram a pensar que é só em dias de tempestade??? Será que ouviram o meu patinho??? Para saber, vou ter que esperar pelas próximas chuvadas, sem descurar as boas abertas...

1 Comment:

  1. Å®t Øf £övë said...
    Dark,
    Não existe nada pior do que viver em apartamentos, porque se ouve sempre, quer se queira quer não, tudo o que se passa nas casas dos vizinhos. O que fazer? É algo muito pessoal, imagine se fosses tu, e os teus vizinhos te viessem tocar à porta, e te interrompessem os teus "ais" de prazer. Afinal estás na tua casa, não?
    Por isso sugiro-te que continues a segurar a vela (ou melhor... o patinho), e dá-te por satisfeita, porque poderia ser bem pior. Imagina que o gajo usava Viagra... aí estavas desgraçada, porque nem o patinho resistia, nem tu conseguias pregar olho a noite inteira.
    Outra solução será raptares a vizinha, instalas-lhe um cinto de castidade, e depois negoceias a troca da chave do cinto pela possibilidade de "desviagrar" o vizinho.
    Ou então, em última análise, deixa-os aproveitar os dias e as noites, e que a loucura conduza os seus instintos para mal dos teus pecados. Depois podes sempre comentar por escrito a performance deles, e colocares na caixa de correio, mas mandar parar, esqueçe... isso é que nunca...
    Beijinhos.

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