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"Felizes os que nada esperam, pois nunca serão desiludidos"

Sébastien-Roch Chamfort

Depois de muito tempo eu acabei por aprender a viver segundo este lema. Deixei de esperar o que quer que seja dos outros, e passei a contar só comigo. Mas na verdade não sei se sou mais feliz assim ou não. Talvez porque o que me levou a viver assim foi o facto de ter deixado de acreditar em todas as pessoas, e isso por si só não é nada positivo. Eu diria até que é uma das piores, e mais dolorosas conclusões a que se pode chegar na vida.

Infelizmente a vida é demasiado cruel, e com a experiência e maturidade, mais cedo ou mais tarde, todos acabamos por tirar a mesma conclusão. Eu diria que se trata apenas e só de uma questão de tempo, nada mais.

Tínhamos todos 20 anos nos anos oitenta.
Era o tempo da expressão "o que tu queres sei eu".

Felizmente nunca irão saber o que eu queria, nem o que andei a fazer naqueles anos que agora chamam de oitenta. Não são histórias que se possam contar, e muito menos voltar a acontecer. Eram tempos em que dava para fazer tudo ao mesmo tempo, sem se perder a sensação de que não se tinha feito nada, mas bem pelo contrário, de que ainda havia muito para fazer.

Os anos oitenta, foram uma década de puro divertimento. Era a música... a dança... a música de dança... e todos vocês são capazes de distinguir e imaginar, entre o que pode levar à dança, e ao que a dança pode levar...

Nos anos oitenta havia rapazes e raparigas... olhares, vontades, investidas, planos...
E não vale a pena esconder, esses rapazes fizeram-se homens, e as raparigas mulheres. E passaram a dar-se números de telefone, a dar-se "ares de graça", a dar-se desculpas...

Também nos anos oitenta havia projectos, havia problemas, e havia malandrice. Era o efeito desencaminhador... para o bom caminho.
Afinal aquela paródia ininterrupta que foram os anos oitenta valeu a pena...

A Blogadinha do blogue "Blogadinha dos Virtuais" porque lhe apetecia ler algo teve a ousadia de me desafiar a revelar-lhe os meus 5 maiores vícios.

E eu como gosto de mim como sou apesar de todos os meus vícios, vou revelar-lhe que o álcool me inspira, o tabaco me distrai, mas que acima de tudo é o amor a mola impulsionadora de tudo o que eu sou, sinto e vivo.

Dito isto, eu confesso que os meus maiores vícios são:


Um gole,
Um trago,
O gostar de uma mulher,
Tão meiga,
E tão linda...

Há vazios que nunca serão preenchidos, porque não se resumem apenas a saudades, são mesmo um espaço vazio. E porque razão se mantém esse vazio se ninguém é insubstituível? - pensamos...

Talvez a resposta esteja do facto de ninguém conseguir nunca ocupar um espaço que foi preenchido por outra pessoa, porque era só dela, e isso tem que ser encarado como uma realidade inevitável, e temos que saber conviver com esse espaço vazio que é deixado em nós quando alguém parte.

E o tempo? - pode passar um tempo... dois tempos... três tempos... todos os tempos... que nós nunca deixaremos de... sentir o vazio.

Porque amanhã será apenas amanhã, é que eu gosto de viver um dia de cada vez com toda a intensidade que posso, como se não houvesse amanhã, porque parece-me errado pensar que amanhã rimos... amanhã brincamos... amanhã sonhamos...
Quando agimos assim perdemo-nos no hoje... o ontem já passou... e o amanhã será apenas o dia seguinte ao hoje...

Berlim é uma cidade bem particular...
Só mesmo indo a Berlim para nos apercebermos o quanto a cidade está carregada de história. Boa parte dessa história está reflectia na reconstrução, e na destruição de prédios, igrejas, monumentos ou bairros inteiros, que foram bombardeados durante a Segunda Guerra Mundial.


Houve um tempo em que a maior atracção de Berlim era a Igreja Memorial de Guilherme I, mantida de propósito no estado em que ficou depois dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Hoje há tanta coisa para ver que chegamos a correr o risco de nos esquecermos dela…


A desconstrução é representada pelo Muro derrubado que reunificou a Alemanha novamente em 1989, e que ainda hoje permanece lá, embora na sua esmagadora maioria de forma invisível. Do Muro apenas resta uma linha assinalada no chão da cidade, e curtos pedaços preservados como relíquia histórica. A história que o Muro representa impressionou-me bastante porque eu vi acontecer pela televisão. É diferente de aprender uma história que aconteceu bem antes de eu existir, sei lá, parece-me uma coisa mais real.


Pariser Platz, em frente ao Brandenburger Tor, é o mais importante portal de Berlim. Antes da guerra, era o símbolo da paz, e depois da reunificação tornou-se no símbolo do nacionalismo alemão. O Memorial das Vítimas do Holocausto, é uma área grande, mais ou menos equivalente a um quarteirão, com 2.700 pedras escuras de tamanhos diferentes que fazem lembrar um cemitério. Mais à frente chega-se ao local onde se encontra o Bunker onde Hitler passou seus últimos dias. É um lugar completamente comum que foi aterrado e transformado num parque de estacionamento.


Ainda há o Checkpoint Charlie, que era um dos pontos de fronteira entre o lado americano e o lado soviético do Muro.
No lado Oriental da Alemanha é onde as coisas acontecem, onde estão os melhores museus, os monumentos restaurados, as novas construções, e a vida nocturna.




A descoberta da nova Berlim começa quando se sai da estação de metro de Potsdamer Platz e se dá de caras com o Sony Center, que é uma praça futurista delimitada por prédios disformes e coberta por um tecto de vidro. Há uns anos atrás lá só havia destroços do Muro de Berlim, cuja história se pode conhecer numa exposição permanente em frente à praça, onde ainda existem fragmentos do Muro intactos.




As ruas mais comerciais de Berlim são a Französischer Strasse e Friedrichstrasse. A rua da noite institucionalizada, com restaurantes e bares, é a Oranienburger Strasse. É um bom local para experimentar a autêntica comida alemã, a currywurst (salsicha levemente temperada com curry), e que é famosa na cidade. E, claro, não se esqueçam de experimentar a maior quantidade possível de cervejas!!!
O facto é que gostei muito de Berlim. Foram dias muito bem aproveitados.

fotografias: Å®t Øf £övë
música: Der Anfang Vom Ende

Quem tiver a capacidade de se amar a si mesmo, nunca sentirá solidão, porque quem gosta de estar consigo mesmo, nunca sentirá a necessidade de estar no meio de uma multidão para se sentir feliz e realizado.

Quem gosta de si mesmo nunca está só, porque gostando de si mesmo passa a ter a capacidade de gostar dos outros também, e passa a ter um enorme prazer em dar. É este o segredo da felicidade, porque o amor é o segredo para nunca nos sentirmos sós. Quem ama está sempre acompanhado.

O que pode levar alguém à solidão é a mistura do amor com o prazer da conquista, porque quando isto acontece mais cedo ou mais tarde acaba-se por se sucumbir. Quando um amor precede um outro, e a conquista uma outra, é aí que começa a residir o mal que nos levará à solidão.

Já dizia Soren Kiekegaard:
"Arriscar-se é perder o pé por algum tempo. Não se arriscar é perder a vida..."

É ao pensar nesta frase que eu perco o medo de amar, porque mais do que dúvidas aquilo que me perturba é o medo de sofrer, ou em algum momento, o medo de ser amado e não ter a capacidade de amar... Mas sem experimentar não há como acabar com as dúvidas...

De nada me vale refugiar-me numa couraça, de nada vale não sentir as emoções, porque a vida quer se queira quer não, será sempre um risco... não há como o evitar. Se conseguir pensar assim vou-me tornar mais disponível para amar, sem medos, e esquecer os possíveis sofrimentos que possa ter sentido no passado, porque esse mesmo passado vai-me servir de bagagem para não ser tão inocente... para ser mais maduro, e mais experiente.

Tenho que encarar o medo de me entregar e de poder eventualmente sofrer, como uma fantasia que me habita o imaginário, porque tudo isso está no futuro, e eu por muito que queira não tenho a capacidade para adivinhar o futuro. Por isso não vou desistir de mim mesmo, não vou desistir do que desejo, não vou desistir dos meus sonhos...