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.......Because






.give me everything

Não sei como começar... Talvez começando por relatar o fim? Mas não será isso uma antítese?...

Foram dois anos e meio da minha vida em que me entreguei a estes personagens. Subitamente, tornaram-se vivos para mim.
Existem... amam... sofrem... e estão perto. Sim, é possível as personagens ganharem vida.

Agora, separar-me deles vai exigir da minha parte muita determinação e um luto especial... ou talvez não tão especial assim... simplesmente um luto, muita gratidão por os ter tido na minha vida, por todos os momentos que partilhámos juntos, e por em muitas alturas terem funcionado como o meu porto de abrigo. Nunca encontrei ninguém que me servisse de porto de abrigo... apenas eles... E porque será?

Posso considerar várias possibilidades... talvez por ser forte e não precisar de um porto de abrigo... ou então por ser forte, mas mesmo assim precisar de um porto de abrigo, e não encontrar ninguém mais forte do que eu que possa funcionar como tal... ou ainda, talvez, por as pessoas não perceberem que até eu posso precisar de um porto de abrigo.

Como conclusão, posso dizer que me orgulho de ter conseguido fazer deste espaço um lugar de partilha, e que penso que deu a oportunidade a muitos de vocês de se reverem em muitos destes sentimentos, e de reflectirem sobre eles. Isso ficou bem vincado na participação, desabafos, e comentários que cada texto foi tendo. Espero que vos tenha sido útil, e que em muitas situações tenha funcionado para vocês, também, como um verdadeiro porto de abrigo. Por aqui aprendi muito, e fiz muitos amigos, que continuarei a ler e a comentar nos seus espaços.

Talvez um dia volte... Quem sabe?... E porque não?
Talvez um dia volte aqui... amanhã... daqui a uma semana... um mês... ou nunca...
Afinal, tudo vai continuar por aqui, no mesmo sítio onde sempre esteve.

Por agora, preciso mesmo desta interrupção... porque cansei de ser o porto de abrigo... quero ser o porto de chegada...

Paulo B.
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Deixo-vos com o texto que se segue abaixo. É o último capítulo desta "estória" narrado pela Dä®k Añgë£...

A terra gira sempre para o mesmo lado, mas nunca no mesmo sentido, nem da mesma forma, e por isso tudo o que nos acontece pode até parecer uma repetição de uma repetição, mas é ainda e sempre outra coisa, porque a vida é isto mesmo, nunca volta ao que foi, e nada regressa a nada. Deve ser por isso que o mundo gira sempre ao contrário dos ponteiros do relógio...

Nos últimos tempos tive encontros... com ela... e reencontros... com ele, que guardarei para sempre em silêncio, e em segredo, para que nada nem ninguém lhes possa tocar. Na vida vivemos momentos que pertencem a outra dimensão... a dimensão rara e perfeita que se sente em certos dias, em que nós somos mesmo nós, e que apesar disso, conseguimos estar em paz.

Antes... Olhava para ti, e via-me a mim, e tu olhavas para mim, e vias-te a ti. Só que isto foi há muito tempo... Agora... Olhei para ela e vi-nos a nós... a nós os três...

Fui sair com a ex-namorada do meu ex-namorado. Senti-me especialmente bonita. Ambas sabíamos que durante muito tempo fizemos uma triste figura, mas hoje foi ver quem parecia melhor. Ela é mais bonita do que eu, e mais nova também... na rua nunca passa despercebida. Lembro-me de ver fotografias dela, e de a invejar. Desde o tempo em que andava com ele (e ela também) sentia que havia qualquer coisa que nos ligava... e que não era só ele...


Enquanto esperei durante quinze minutos, bebi dois martinis, e quando ela chegou não conseguiu disfarçar o seu nervoso. Demos dois beijos, e percebi que o perfume que trazia assentava-lhe bem. "Desculpa o atraso" - disse ela

Eu sorri-lhe, e convidei-a a sentar-se na mesa que reservei, e onde jantei algumas vezes com ele. Não muitas, porque afinal ele também era namorado dela... eu é que não sabia!!! Já sentadas pedimos o vinho que nos iria assentar bem quando a garrafa fosse a meio...

Sabia que nos últimos tempos a relação deles tinha sido de muita raiva, e que nem na cama resultava. Falo nisto, porque sei que muitas vezes o sexo apazigua a raiva que há em nós, e pode tornar as noites memoráveis. Não era o caso deles, porque ele chegava junto a mim sempre àvido, e por isso nem espaço havia para discussões.

Ela estava corada, o vinho já tinha assente em nós... e pressenti que iríamos falar dele...
"Eu sempre achei que tu eras diferente de todas as outras mulheres" - disse eu
Ela não disse nada, continuou a beber, e deixou-me falar...
"Ele ia ter contigo, e eu sabia... dizia-me sempre que tinha assuntos para tratar..."
Enquanto falava fui recordando os últimos tempos da minha vida com muito menos dor, como se ao perceber a dor dela isso aliviasse a minha...
"Um dia, apanhei-o a ouvir música, que percebi que só podia vir de ti"
Ia atirando frases sem nexo, que há muito sufocavam dentro de mim...
"Já nem me apetecia sexo com ele... comecei a retrair-me"

As lágrimas dela tinham começado a cair, e eu percebi que podíamos chorar e rir das mesmas coisas, e que talvez por isso tenha valido a pena este encontro. Foi então que ela resolveu dizer alguma coisa...
"Ele foi a última pessoa que amei, e com quem me apeteceu viver a dois... seja lá o que isso for. Acabei por ter uma vida a três, que é coisa que não fez bem a nenhum de nós. Tu vivias na dor de o perder, eu na esperança de o ter, e ele vivia no limbo, um lugar onde ninguém quer ficar para sempre..."
Já de olhos retocados, saímos de restaurante a rir, mas a verdade é que se alguém se aproximasse de nós poderia cortar-se nos estilhaços dos nossos corações.

Quando cheguei a casa, tinha uma mensagem dele no telemóvel a dizer:
«Vi-te com ela a atravessar a rua. Sinto-me o homem mais triste do mundo»
Terá ela recebido a mesma mensagem?

Independentemente desta minha dúvida, esta mensagem foi o suficiente para me decidir a telefonar-lhe. Há muito tempo que não sabia nada dele, e que ele não ouvia falar de mim. Telefonei-lhe e combinamos encontrarmo-nos... reencontrarmo-nos... assim foi...

E acabei de chegar agora a casa, e no espelho do meu quarto vejo-me cansada. Estou com aquele ar de que gosto... de cara sonolenta, e com voz constipada...

Andava a irritar-me ter-lhe perdido o rasto, ele que foi uma grande paixão da minha vida, uma das pessoas a quem valeu a pena dizer "Amo-te", e por quem valeu a pena chorar quando seguimos vidas diferentes. Por isso, há muito tempo que eu queria um reencontro...

Esta noite, quando o vi chegar, de roupa escura, foi como se tivesse percebido que o tom do nosso encontro seria o mesmo... e foi... calmo, apaziguador, quase redentor... Houve em nós o brilhozinho de quem percorreu parte de uma vida em comum. Eu mais nervosa que ele... e ele mais emotivo que eu...

Ambos levamos presentes para este reencontro, que imagino não se repetirá nos próximos tempos. Eu dei-lhe um CD que sabia que ia gostar, e ele ofereceu-me um livro "útil", segundo disse... um dicionário a estrear, para eu não cometer erros... disse ele. A frase dele tinha o peso de quem sabia que quando tudo terminou, ainda poderia haver muito amor para viver.

Em nenhum momento do jantar lhe pedi desculpa, ou agarrei a mão como se lhe quisesse dizer "conta comigo", porque pessoas que se amaram muito, e nunca chegaram ao avesso do amor, precisam de dizer "conta comigo", ou "estou aqui sempre".

Lembrei-me de uma das últimas frases que me disse na derradeira conversa que tivemos: "Só desejo que encontres alguém que te faça feliz, já que eu não fui capaz. Só sabendo-te feliz conseguirei seguir o meu caminho, e tentar ser feliz também".
Só alguém que nos ama verdadeiramente encontra forças para dizer uma coisa destas, num momento destes.

Também me lembrei das noites de amor e paixão que tivemos, e perguntei-lhe pela família. Brindámos às nossas vidas, e ao futuro bom que um dia pensámos que seria nosso. Depois do vinho, do Whisky dele, e do meu licor para o lembrar doce, perguntei-lhe por fim: "Porque demoraste tanto tempo a vir jantar comigo?"
E ele a olhar para o copo, disse-me baixinho: "Porque ainda não é fácil"

Despedimo-nos com um abraço, daqueles que nos fazem perceber que ele ainda mantém o mesmo perfume, e que o meu ainda não mudou... Subi para casa sozinha... e chorei...

E aqui estou agora, sentada, a ver-me ao espelho. A culpa desapareceu, mas ficará para sempre o meu amor por ele.

As memórias servem para isto mesmo, uma pessoa mastiga-as e saboreia-as para que não fiquem amargas. Às vezes é preciso mergulhar no passado para saber saborear o presente.


Gostava que tu olhasses duas ou três vezes para mim todos os dias, mesmo que não fosse durante muito tempo, mas de forma a eu sentir que estavas mesmo a olhar para mim, e não a pensar em trabalho, futebol, contas, ou em jantares com amigos.

Era só olhar... garanto-te que é muito fácil, porque faço isso todos os dias contigo. Às vezes de manhã quando ao acordares ainda estás com uma expressão de miúdo, ou quando apertas o nó da gravata no espelho da casa de banho, ou ainda quando à noite te sentas em frente à televisão, e te recostas para trás, sem pensar em nada, à espera que o sono te leve para a cama.

Gostava tanto que tu olhasses duas ou três vezes para mim todos os dias, mas não como olhas para as minhas pernas quando me destapo a meio da noite, ou para o meu peito quando uso uma camisa justa, ou ainda para a minha boca sempre que a contorno com lápis. Gostava que olhasses para os meus olhos, e procurasses lá dentro, tudo aquilo que não se vê, porque se não mergulhares nos meus olhos com doçura e entrega, acredita que nada valerá a pena. Percebes o que te quero dizer?

Se calhar percebes, mas como não olhas para mim, talvez não oiças... e pensar dá muito trabalho, e sentir ainda mais. Deve ser por isso que cada vez que te tento explicar que seria muito feliz se olhasses para mim de vez em quando, em vez de te rires com a expressão de miúdo com que te surpreendo de manhã, encolhes os ombros e dizes-me: "Deixa-te disso"

Como se eu te estivesse a pedir o fim do mundo, como se olhar-me fosse assim tão difícil. Bastava olhares para mim com olhos de ver para entenderes tudo aquilo que eu te quero dizer, porque o olhar pode gritar muito mais alto que a voz.

Às vezes sinto que gostavas de apagar para sempre o meu passado, como se nunca tivesse existido, da mesma forma que me pedes para rasgar fotografias de quem passou pela minha vida.

Sinto que o meu passado te pesa cada vez que o presente o resgata em telefonemas rápidos que vou recebendo de vez em quando de outras pessoas que passaram pela minha vida, e com quem criei esse laço raro e difícil que sucede à desordem do amor.

Em vão tento explicar-te que elas passaram pela minha vida com a leveza de uma pena, ou a intensidade de uma tempestade, mas tu só ouves aquilo que queres ouvir, como se as quisesses trazer de volta, e sentá-las à nossa mesa a jantar connosco. A verdade é que nunca as vejo, nem preciso, porque a minha vida és tu, e por isso já não fazem parte da minha vida. Mas tu não percebes isto, chamas-me insensível, como se não tivesse nem honra, nem princípios, nem coração.

Acredita que eu não te quero magoar, que te olho com admiração, e que o que eu te dou de mim, é o que eu tenho de melhor, sem pensar porquê, nem como, nem até quando. Mas tu tens sempre que pôr tudo em causa, inventar segredos e intenções em cada movimento que faço, e exageras nas minhas fraquezas. É difícil fazer-te entender que se me fazes ter vontade de estar contigo todos os dias, é porque assim o quero, e não porque tu o tenhas decidido impor, porque para mim o que realmente conta é o que eu vivo contigo.

Amanhã ficarei triste se decidires partir, e feliz se ainda me quiseres, por isso esquece o passado, e não tenhas medo do futuro, porque tudo e nada está nas nossas mãos. Só assim é que o amor pode ser para nós fácil, simples, e transparente, porque ou se ama, ou não se ama, e se eu sinto que te amo sem ter de pensar se é verdade ou não, é porque deve mesmo ser, não achas?

Quando te conheci passei a ter dois mundos. Um onde tudo era sonhado e permitido, e outro, onde a realidade se confrontava todos os dias comigo. Estava muitas vezes em guerra, com o meu mundo por ser como era, e comigo próprio por não o aceitar.

Na verdade estava em guerra com a realidade que me rodeava. O meu coração era o meu escudo, e eu lutava muito, e às vezes magoava-me e caía... doía... e sabes o que eu fazia? Rangia os dentes e levantava-me outra vez.

Nunca desisti de acreditar na perfeição, nem abandonei a convicção de que podia cruzar a perfeição com a realidade, e esta ideia fixa tornou-se a minha obsessão, por isso não me contento com menos do que isso. De resto, se ambiciono a perfeição... ela só pode mesmo existir...

A determinada altura percebi que ia ganhar a guerra, e que as batalhas tinham chegado ao fim. A vida é o que é, e não pode ser mais do que isso...

Penso muitas vezes em ti. Estás na música que oiço, e no ar que respiro. As músicas que tocam falam de ti e de nós, e eu sorrio, porque sei que mesmo que estejas do outro lado do mundo, à procura dos teus sonhos, eu nunca me irei sentir sem ti.

Andas por aqui, e às vezes vejo-te a abraçar-me, ou a aconchegar-me o lençol até ao pescoço. Depois sais sem fazer barulho, e metes-te outra vez no avião, e eu fico a ver-te voar, e no dia seguinte acordo como se o mundo começasse outra vez. Apesar de teres escolhido ficar do lado de fora da minha vida, é bom ter-te nela, mesmo sendo de uma forma silenciosa.

Já passou muito tempo desde o dia em que as nossas vidas se cruzaram pela primeira vez, mas o tempo desta vez não tem razão, porque enquanto houver estrada para andar, eu vou continuar. E mesmo tendo tu decidido partir, eu sei que te ensinei a não esquecer que o amor existe.


Vou guardar o nosso amor, estou cansada de sonhar, especialmente agora que me ausentei de mim e de ti... acho melhor assim. Sei que a minha ausência já não te preenche os dias, e eu própria já não consigo alimentar a ansiedade da espera, por isso vou guardar o meu amor por ti num lugar onde ninguém lhe possa tocar.

É engraçado... quando olho para o futuro, vejo-te sempre lá...
Olho para o sofá da minha sala, e estás lá sentado...
Olho para a varanda, e estás lá comigo...
Deito-me na cama, e és tu que me adormeces e acordas...

Mas isto é só na minha imaginação, que é aquilo a que nos agarramos quando a vida nos rouba o resto. São memórias nossas que não quero perder, e que por isso guardo para sempre, esperando sem esperar, que um dia me voltes a fazer feliz. Mas para isso tens que querer... querer muito, porque sabes... meu amor... não há amor, há provas de amor. Fico à espera delas...

Se não nos conhecêssemos demasiado bem, eu diria que nos podíamos apaixonar outra vez, como naquele dia, quando vivemos o nosso primeiro momento de amor. Amámo-nos desde o primeiro dia, vi isso no tremor do teu corpo quando me deixaste, como se carregasses a cruz de um grande amor, e percebi que a tristeza que me invadia só existe antes de uma grande paixão.

Talvez por isso, quando te vi outro dia e te disse, por brincadeira, que podíamos, quem sabe, viver a mesma paixão, o meu olhar embaciou-se, não sei bem se de tristeza por ter perdido esse amor, ou de alegria por o ter vivido. Foi há pouco tempo, e no entanto, é como se o meu coração já se tivesse esquecido, e deve ser também por isso, que apesar de sermos amigos, te ligo tão pouco, porque prefiro a distância de um amor guardado, mesmo sabendo que estás sempre por perto.

Normalmente as mulheres perdoam tudo quando amam alguém. E eu até sei que o teu fundo é bom, apenas te falta alguma capacidade para fazer escolhas, mas sei que posso esperar de ti os mais belos gestos. Perguntei-te se pudesses voltar atrás se voltavas, e tu disseste-me que não. Perguntei-te porquê, e respondeste-me que há coisas que quando se quebram não são recuperáveis. Eu perguntei-te então, se pudesses voltar atrás como se nada se tivesse passado, se voltavas. E tu respondeste-me, que talvez... que achavas que sim. E eu respondi-te: "Pois, isso mudava tudo"...

Depois perguntaste-me porque é que a paz que procuras nos braços de outras nunca perdura... Talvez seja porque pensas que só podes amar quando estás presente, tal como me amaste a mim há uns tempos... ou noutro dia... quando me voltaste a ver. Eu sei que me amas sempre, e que as lembranças desse amor que vivemos, ainda te vêem à cabeça por breves instantes, mas a verdade é que com o tempo tudo se esbate e desfaz...

Sei que o "About last Night" já não parece o mesmo que foi em outras alturas, no entanto continuo convicto que ainda é um espaço interessante para todos vocês que têm tido o previlégio de acompanhar e partilhar as tristezas, as ausências, as alegrias, e os sonhos, que por aqui têm sido vividos e relatados.

Não guardo segredos, mas há palavras e ideias que escondo do resto do mundo e que são só para vocês que são aqueles que fazem parte do meu pequeno mundo.

Sinto saudades de quando escrevia aqui com mais regularidade, mesmo quando o tempo para isso era escasso, e se tornava imperioso fazê-lo. Sei que nunca serei capaz de me desligar completamente dele, porque para mim o "About Last Night", significa um tempo rico em aprendizagem, e partilha de emoções.

Acreditem que nunca me esqueço de vocês, meus amigos, que me visitam e comentam sempre que aqui publico mais um devaneio. Este espaço continua, e continuará a existir para mim, mas também para vocês.

E hoje porque o "About Last Night" completa o 3º ano de existência, convido-os a todos a soprarem as velinhas comigo...

Gosto de gostar...
Gosto de vocês...
Gosto do "About Last Night"...
Gosto de me lembrar da última noite...
Gosto de ti... e de mim em ti...
Gosto de mim... de ser que sou, e o que sou...
Gosto de gestos... de cheiros... de sabores... de lugares... e de memórias...
Não gosto de dissabores e desamores...
Gosto de provocações e reacções...
Gosto de analisar comportamentos... gente... sentimentos... e palavras...
Gosto de mistérios, mas não gosto de quem se esconde por detrás das lentes de óculos escuros...
Gosto de muitas pessoas, e também gosto de não gostar de todas...
Gosto de gargalhadas, risos, e sorrisos...
Gosto de dizer o que penso, e de fazer o que quero...
Gosto de chorar sempre que me apetece, e não gosto que me tentem secar as lágrimas...
Não gosto de ter medo, e que me falte a coragem...
Gosto de ir até ao fundo das questões, mas de deixar as respostas a meio...
Gosto de reticências e pontos de exclamação...
Gosto de encruzilhadas, e de não saber o caminho a seguir, mas não gosto que me digam que errei no trajecto...
Gosto do imprevisto, e não gosto de previsões, nem acredito em destinos traçados...
Gosto de letras, de músicas, de livros, de rascunhos, e de rabiscos...
Mas não gosto de usá-los todos de uma vez, porque gosto que fique muito por dizer e saber...
Gosto de partilhar, e ao mesmo tempo manter-me em segredo...



A atmosfera romântica tomou conta da blogosfera, e por isso a
foryou do blogue again for you and me atribuiu-me o prémio "Destaque Cupido Fonte de Amor"... ou seja, fui "flechado" a falar sobre o que é o amor...


De que é feito o Amor?
O Amor é feito da soma de muitas coisas... de vontade... tempo... espera... respeito... paciência... doçura... proximidade... generosidade... sonho... paixão... e também de alguma tristeza... Há pessoas que ficam tristes quando se apercebem que se vão apaixonar, e outras que ficam ainda mais tristes quando se apercebem que não conseguem atingir esse sublime momento que faz parar os ponteiros do relógio.

É muito difícil amar... amar sem tempo... sem exigências... sem medo. Amar por amar... querer sem pensar... sonhar sem recear... O que eu mais gosto no amor é da paixão, do desejo, da serenidade, e da vontade de construir tudo à imagem do que sentimos. Mas o amor é muito mais do que isto, o amor é muito mais do que querer, desejar, sonhar, e amar.

O amor é partilhar uma vida numa entrega sem limites. O amor não tem nada a ver com grandes presentes, jantares-surpresa em bons restaurantes, viagens-relâmpago, ou garrafas de champanhe. O amor alimenta-se com beijos, sorrisos, palavras, e ideias. O amor leva-se a si mesmo por caminhos que nem ele mesmo conhece, e é por isso que quem ama promete sempre tudo sem pensar, porque quando estamos apaixonados, respiramos amor até quando estamos calados ou a dormir.

Mais do que uma paixão que se consome a si mesma e desaparece sem deixar rasto, o amor sabe ser calmo, sereno, sem medo nem dúvidas. O amor quando chega e entra na nossa vida muda tudo... e tudo na nossa vida muda. O que havia antes apaga-se, deixa de fazer sentido, e reduz-se à insignificância de passado que já passou. Amar alguém é começar a viver outra vez, e esquecem-se as desilusões, o medo de falhar, e aqueles que nos amaram, ou que nós pensamos ter amado morrem sem dor dentro de álbuns de fotografias, ou de cartas já sem voz.

Há instantes de amor perfeitos, momentos perfeitos em que sentimos por breves segundos as mãos entrelaçarem-se enquanto alguém nos diz ao ouvido:
"Estás enganado, pode ser isto o Amor"
E pode... e deve... e nós até queremos que seja...
É este o amor que nos faz sermos felizes, sempre, apesar de tudo, e acima de tudo. E o resto são pequenos nadas que pertencem ao mundo dos comuns mortais. O Amor continua a ser um mistério que não sabemos como começa, nem onde acaba... que transforma tudo, e mente muito bem.


Agora passo adiante o prémio, atirando flechas de amor a 10 blogues que falam, e respiram amor por todos os seus poros. Os indicados devem fazer o mesmo e "flechar" outros tantos blogues...

Há muito tempo que não sinto o teu cheiro. Dantes quando a distância era apenas ditada pela nossa vontade, bastava-me inspirar um pouco mais fundo para te apanhar no ar. Era um tempo que corria muito depressa, e parecia sempre pouco. Era um tempo em que o nada era tudo, em que as palavras se silenciavam mesmo à porta de casa, e em que a música ia dizendo o que não sabíamos explicar, nem compreender.

Nesse tempo, tu fingias que não te doía a distância, e eu convencia-me que era melhor assim. Foram tempos difíceis, em que metade de ti já estava fora daqui, em que só o corpo te mantinha por cá, presa por um fio, como sempre estiveste presa a tudo na vida, e a quem te tocasse no coração.

A verdade é que aprendi a esquecer-te... mas não sei se te esqueci... parece-me que não é bem isso... nem sei se os meus joelhos voltariam a tremer, ou se teria um ligeiro ataque de pânico se nos voltássemos a cruzar... ou se pelo contrário, te estendia a cara para trocar um beijo rápido, quase impessoal, que não me faria sequer virar a cabeça e seguir-te os passos no caminho do afastamento.

Não sei como é a vida, o dia de hoje, o próximo minuto, o instante que se segue, porque nada é certo e seguro, e nada se agarra a não ser por escassos instantes. A vida ensinou-me a aceitar na perda uma vantagem qualquer.

Não sou grande entusiasta de correntes, ou mesmo de meras distinções do melhor disto ou daquilo.

Acredito que a blogosfera deverá ser encarada de forma despretensiosa. No entanto a minha amiga
Ana do Cantinho da Anokas decidiu distinguir-me entre os blogues que a fazem pensar.

Nunca escrevi senão ficções... mas também nunca a ficção produziu tanta verdade e realidade, por isso quero deixar-lhe aqui o meu agradecimento, porque é para isso mesmo que o About Last Night existe, para que cada um que o lê se reveja um pouco em cada texto, e se veja "obrigado" a fazer uma pequena reflexão, e a pensar, até porque pensar é um acto cada vez mais raro nas nossas vidas, cada vez mais intensas e ocupadas, que não nos deixam tempo para parar, pensar, e reflectir calmamente sobre seja o que for.

A mim tortura-me pensar nos encontros e desencontros que a vida por vezes nos proporciona... tortura-me o que sinto quando penso em todas aquelas horas perdidas... quantos olhares... quantos sorrisos... quantos silêncios. Pensando bem... foi uma vida!!! É incrível como se pode estar tão perto da felicidade e não se perceber absolutamente nada!!!

Eu sabia que procurava alguma coisa... mas o quê? Como pude ser tão cego? Tu estavas lá o tempo todo... não havia distância... era só eu estender a minha mão... Mas agora fico a pensar se a culpa também não foi um pouco tua... Tu sorrias com esses teus olhos... um leve sorriso de assentimento... é verdade, mas os teus lábios silenciavam, e a tua voz nada me dizia...

Tu sempre soubeste o quanto me amavas, e pacientemente esperaste, apenas porque me estavas a dar a oportunidade de eu conhecer o meu próprio coração, e finalmente nele encontrar os meus verdadeiros sentimentos. Mas eu pobre idiota nada percebia... Tu cansaste-te com razão... não esperaste mais... e hoje é tarde, porque estendo as minhas mãos e não encontro nada... está tudo vazio para mim... Agora sei que te amo, e numa última tentativa, ofereço-me a ti...


Com toda esta história dos Thinking Blog Awards, a Ana obrigou-me mais uma vez a pensar nos encontros e desencontros da vida... e também a pensar nos critérios que teria que utilizar para atribuir os meus cinco Awards. Tarefa nada simples...

Porque há blogues aos quais eu me sinto ligado porque conheço os seus autores, outros que embora não os conheça pessoalmente, já interajo com eles há muitos anos, outros ainda porque me divertem, e finalmente aqueles que me fazem pensar... E como não podia deixar de ser o critério que escolhi para atribuir os meus cinco Thinking Blog Awards foi este último. E os que recebem esta menção honrosa são:

Vai, apanha esse avião, esconde-te daqueles que te amam, e fecha-te na tua concha o tempo que for necessário. Vai e não olhes para trás, não te arrependas daquilo que não fizeste, escolhe um lugar onde ninguém te conheça, e em que a língua seja diferente.

Leva livros, algumas músicas eternas, papel e envelopes para escreveres a quem te apetecer. Parte para longe, dá a ti própria um tempo indefinido de solidão e recolhimento, fecha-te nas tuas dúvidas e nos teus medos, mas lembra-te daqueles que sempre te amarão onde quer que estejas, e resguarda-te de todos aqueles que só te querem bem quando estás bem, e que te esquecem quando desapareces. Parte vazia e preparada para a travessia do deserto da tua alma cansada e triste, e não olhes para trás.

Dorme muito, que o sono arruma o coração, acorda devagar, e depois lê um livro, e mergulha na dor das histórias alheias até que a tua própria dor desapareça sob a distância e a saudade. Não lamentes a tua tristeza, esgota-a em lágrimas e gritos, e depois deita-a fora quando já não te servir para nada, e já estiver ultrapassada na tua consciência. Vai, vai antes que seja tarde e não tenhas coragem para partir, e não te despeças de mim, que eu fico cá à espera que voltes reencontrada e pacificada, pronta para voltar a ver na vida tudo que ela tem de bom.

Não tenhas pressa em regressar, demora o tempo que for necessário até te sentires outra vez dona de ti própria, mas guarda na memória o meu desejo profundo de que fiques bem, e que encontres o teu caminho, mesmo que nunca mais te veja, e que a vida nos dê outros destinos. Vai nessa tua busca de ti mesma, e nunca te esqueças que quando voltares eu estarei cá à espera, mesmo não sendo para te amar, mas para te receber com o coração.

O grande problema do amor é que nunca aprendemos nada com ele, nem sequer aprendemos a esquecer.

Amei-te durante mais tempo do que devia, por teimosia, mas estava errado, e só descobri isso quando deixei de ter saudades do teu corpo, e das tuas mensagens tardias no telemóvel que me alegravam as manhãs. Às noites de sono sobressaltado seguiram-se as de descanso profundo, com a certeza de que o dia seguinte seria mais fácil.

A verdade é que quando amamos alguém, nem sempre guardamos esse amor, mas tu tiveste sorte comigo, porque tenho sempre vontade de te ouvir, e nunca deixei de ser teu amigo, como se o amor que tive por ti nunca me tivesse traído.

Quem disse que devemos acabar com as coisas antes delas acabarem por si mesmas? Eu nunca quis acabar nada, porque acabar e desistir são verbos que não fazem parte do meu dicionário, mas também é verdade que já não sonho com um futuro possível contigo. A ansiedade desapareceu, e deu lugar a uma enorme paz interior.

É claro que tu já sabes sempre tudo que te digo, mas ficam sempre mensagens perdidas, cartas nunca terminadas, e sonhos que morrem antes de serem partilhados. Por agora prefiro pensar na amizade que nos une, uma categoria só nossa, unidos por uma força misteriosa, que nos guiou até ao presente, e que nunca deixará de nos juntar, porque o amor está antes e depois de tudo, nunca se esquece nem apaga, porque há sempre uma forma de o viver.

Do que eu tenho mais saudades, é de te ter por perto, em casa, aos fins de semana... ao fim da tarde, quando te via chegar como se sempre tivesses vivido comigo, e jamais a solidão fizesse parte dos meus dias. Era com um sorriso que entravas pela porta de minha casa, que também era tua, e me davas um abraço tímido e quase infantil.

Por vezes apetece-me que voltes, que me abraces com aquele sorriso, e que me fizesses companhia aos fins da tarde... aos fins de semana. Acordávamos, e passávamos o tempo juntos. Não importava onde íamos... ao cinema... almoçar... ver o mar... ou apenas passear, porque nunca nos cansávamos um do outro. Ou então ficávamos em casa, a falar de nada, ou a ver uma porcaria qualquer na televisão, e era sempre tudo bom, porque sempre nos sentimos em casa um com o outro.

Olho para trás, e ainda não percebo porque tudo acabou, e enquanto o tempo passa e saio com outros, se calhar mais bonitos do que tu, e eles me levam a jantar, e depois deixam-me em casa com um vazio que não consigo esconder, tu sais com outras, mas tenho a certeza, que em nenhum momento, por mais bonitas que elas sejam, te sentes em casa com elas.

Ninguém sabe o que é o amor, mas tu foste o único homem cujo cheiro nunca me cansou, e acredita que apesar de todos os teus defeitos ainda podes voltar se me escolheres... Ninguém sabe o que é o amor, mas talvez seja fazer escolhas, e proteger-nos da solidão povoada de gente que passa, e deixa... nada.

Eu pensava que quando tu vinhas ter comigo... Estavas e eras. Estavas comigo e eras tu, e era por isso que vinhas, e era por isso que te sentias bem. Também pensava que esse teu estar, tão intenso e perfeito, era o inverso de todos os outros lugares onde por obrigação ou cobardia, eras obrigado a estar sem estar, e sem ser.

Mas entre o que tu e eu pensávamos, o tempo foi tecendo um manto de confusão e dúvidas, e agora já não sei onde estás, nem quem és afinal. Custa-me imaginar-te longe, viciado numa existência estéril e inglória, na qual não estás nem és aquilo que és.

Mas se calhar és mesmo assim, se calhar já te habituaste a viver fora de ti, não estando nem sendo nos lugares e nas palavras onde as pessoas pensam que te encontras. E se calhar é por isso mesmo que também não te consigo encontrar, porque estás tão habituado a estar sem estar, e a não ser, que ninguém te consegue encontrar, nem mesmo tu.

Mas não faz mal, porque tudo aquilo que não se procura, acaba por ironia, por nos vir parar às mãos. Por isso penso que um dia... uma tarde... ou uma madrugada... uma maré de sorte ou de coragem te pode trazer de volta. Mas isso só será possível quando, ao ouvires as tuas pulsações, reconheceres nelas o bater de um coração que afinal ainda pode ser teu. Tu que vives há tanto tempo alheado de ti mesmo, estando sem estar, e não sendo, à custa de ser aquilo que os outros esperam que tu sejas.

Talvez um dia voltes finalmente a estar e a ser como eu pensava que eras... e foste... só que desististe. E quando uma pessoa desiste de falar, de ouvir, de estar, e de ser, não há nada a fazer...

Este ano de 2006 aprendi muito...
Por isso, hoje um mês depois volto aqui, ao mesmo sítio de sempre, onde me cansei de ser porto de abrigo, e onde aprendi que também eu posso ser um porto de chegada... para vos desejar...

And

Happy New Year

Não queria deixar de partilhar convosco, tudo, que ao longo deste ano aprendi...
Aprendi que há coisas na vida pelas quais lutamos e conseguimos, mas há outras pelas quais não vale a pena lutar. Aprendi que amar é saber respeitar o tempo e o modo de cada um, porque cada coração tem o seu modo de bater, e cada alma tem o seu tempo. Aprendi que quando se começa a construir alguma coisa, tem que ser pedra sobre pedra, e que muitas vezes mais vale deitar tudo abaixo e começar de novo.

Este ano aprendi que a distância não tem nada a ver com quilómetros, e que ninguém constrói uma ponte sozinho, por isso a proximidade é uma arte. Aprendi que a música é muitas vezes a minha melhor companhia, porque há melodias que tal como o amor são eternas, e quanto mais tempo passa, mais importantes são, e mais sentido fazem na minha vida.


Este ano aprendi que por vezes não trato da melhor maneira as pessoas de quem gosto, mas que se o faço é porque gosto demasiado delas... são importantes para mim, e me importam muito. Aprendi que a amizade é uma das mais belas formas de amor, e que o tempo que temos para os amigos é sempre pouco, porque embora o tempo não se perca... gasta-se.

Este ano aprendi que a generosidade que temos com os outros se vira contra nós. Aprendi que muitas vezes é preciso respirar fundo antes de responder, calar em vez de falar, porque estar parado pode ser acção, estar calado pode ser comunicar, e ficar quieto pode ser a forma mais inteligente de agir, mas nunca deixando de dizer aquilo que a minha consciência manda na altura certa. Aprendi que a sinceridade é uma arma demasiado perigosa, por isso ouço demasiadas críticas, e encaro os elogios com alguma desconfiança.

Este ano aprendi a perceber que as minhas filhas crescem depressa demais, e que elas precisam tanto do Pai como o Pai delas. Este ano aprendi que 2007 só pode ser melhor... muito melhor... muitíssimo melhor... Este ano aprendi que no fundo andamos todos à procura do mesmo...

Amor... Carinho... Tranquilidade...

A vida ensinou-me a não olhar para trás, mas não por medo, até porque o tempo, que dizem que tudo apaga, só serve para nos gravar na memória os melhores e os piores momentos.

Quando me vens à memória, lembro-me sempre daqueles momentos nas ruas estreitas de uma qualquer cidade perdida, e daquele abraço imenso que me deste... e quando me lembro desses momentos, lembro-me que senti muito medo... um medo enorme, quase infinito, como se tivesse desaparecido nos teus braços.

O teu olhar... a tua voz... e as tuas palavras... faziam-me sentir que tudo estava certo, e por isso quando passavas as tuas mãos pela minha cara, e ficavas a olhar-me nos olhos, era como se me levasses para um lugar qualquer só nosso, e confiava em ti, porque já te tinha cá dentro, e pensava que podia ser assim para sempre.

Vivi assim durante muito tempo, neste estado de plenitude, a que uns chamam delírio absoluto, e outros amor total, porque tudo me parecia certo e perfeito. Era certo e perfeito o teu olhar... o toque das tuas mãos... o meu peso em cima do teu corpo... a tua respiração quando dormias... e as palavras que me dizias quando me falavas do futuro.

Hoje, depois da desilusão se ter instalado na minha consciência, e das dúvidas me chamarem à razão, fecho a porta a esse passado que já me alimentou, e tento não pensar em nada, para não pensar que me enganei... que me enganaste... que te enganei... ou que nos enganámos os dois...

A vida ensinou-me a aceitar em vez de querer, a esquecer em vez de julgar, e a dobrar a tristeza, sem nunca deixar de amar, e de proteger aqueles que já fizeram parte dela.

Há muitas coisas assim na vida que começam do nada. Foi assim que tudo entre nós começou, e entraste sem nenhum de nós saber para a minha vida. Se não para todo o sempre, pelo menos para todos os dias enquanto os houver.

Eu já sabia da tua tranquilidade, do teu feitio, do teu jeito com crianças, do teu prazer de viver, do teu corpo atlético, e da tua pele morena.

Sempre ouvi dizer que o amor nasce num instante, como um relâmpago que cruza o céu, ou uma onda que de repente cobre uma praia inteira. Sempre ouvi dizer que o amor mata, e quando não mata é porque morre, e quando não morre é total, absoluto, sublime, e perfeito.

Andava há tanto tempo à procura de qualquer coisa, que já nem sabia bem o que era, quando te vi, e percebi que é do nada que tudo pode acontecer, mesmo que tantas vezes o fio pareça partir-se, a luz tão fraca ameace apagar-se, e os sonhos ameacem desfazer-se na manhã seguinte.

Mas na manhã seguinte descobri que afinal o amor não tem que nos fazer estremecer como um relâmpago, nem sufocar como uma onda, e que pode ser o ruído sereno de uma nascente, que corre devagar em direcção a um mar imenso.