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A terra gira sempre para o mesmo lado, mas nunca no mesmo sentido, nem da mesma forma, e por isso tudo o que nos acontece pode até parecer uma repetição de uma repetição, mas é ainda e sempre outra coisa, porque a vida é isto mesmo, nunca volta ao que foi, e nada regressa a nada. Deve ser por isso que o mundo gira sempre ao contrário dos ponteiros do relógio...

Nos últimos tempos tive encontros... com ela... e reencontros... com ele, que guardarei para sempre em silêncio, e em segredo, para que nada nem ninguém lhes possa tocar. Na vida vivemos momentos que pertencem a outra dimensão... a dimensão rara e perfeita que se sente em certos dias, em que nós somos mesmo nós, e que apesar disso, conseguimos estar em paz.

Antes... Olhava para ti, e via-me a mim, e tu olhavas para mim, e vias-te a ti. Só que isto foi há muito tempo... Agora... Olhei para ela e vi-nos a nós... a nós os três...

Fui sair com a ex-namorada do meu ex-namorado. Senti-me especialmente bonita. Ambas sabíamos que durante muito tempo fizemos uma triste figura, mas hoje foi ver quem parecia melhor. Ela é mais bonita do que eu, e mais nova também... na rua nunca passa despercebida. Lembro-me de ver fotografias dela, e de a invejar. Desde o tempo em que andava com ele (e ela também) sentia que havia qualquer coisa que nos ligava... e que não era só ele...


Enquanto esperei durante quinze minutos, bebi dois martinis, e quando ela chegou não conseguiu disfarçar o seu nervoso. Demos dois beijos, e percebi que o perfume que trazia assentava-lhe bem. "Desculpa o atraso" - disse ela

Eu sorri-lhe, e convidei-a a sentar-se na mesa que reservei, e onde jantei algumas vezes com ele. Não muitas, porque afinal ele também era namorado dela... eu é que não sabia!!! Já sentadas pedimos o vinho que nos iria assentar bem quando a garrafa fosse a meio...

Sabia que nos últimos tempos a relação deles tinha sido de muita raiva, e que nem na cama resultava. Falo nisto, porque sei que muitas vezes o sexo apazigua a raiva que há em nós, e pode tornar as noites memoráveis. Não era o caso deles, porque ele chegava junto a mim sempre àvido, e por isso nem espaço havia para discussões.

Ela estava corada, o vinho já tinha assente em nós... e pressenti que iríamos falar dele...
"Eu sempre achei que tu eras diferente de todas as outras mulheres" - disse eu
Ela não disse nada, continuou a beber, e deixou-me falar...
"Ele ia ter contigo, e eu sabia... dizia-me sempre que tinha assuntos para tratar..."
Enquanto falava fui recordando os últimos tempos da minha vida com muito menos dor, como se ao perceber a dor dela isso aliviasse a minha...
"Um dia, apanhei-o a ouvir música, que percebi que só podia vir de ti"
Ia atirando frases sem nexo, que há muito sufocavam dentro de mim...
"Já nem me apetecia sexo com ele... comecei a retrair-me"

As lágrimas dela tinham começado a cair, e eu percebi que podíamos chorar e rir das mesmas coisas, e que talvez por isso tenha valido a pena este encontro. Foi então que ela resolveu dizer alguma coisa...
"Ele foi a última pessoa que amei, e com quem me apeteceu viver a dois... seja lá o que isso for. Acabei por ter uma vida a três, que é coisa que não fez bem a nenhum de nós. Tu vivias na dor de o perder, eu na esperança de o ter, e ele vivia no limbo, um lugar onde ninguém quer ficar para sempre..."
Já de olhos retocados, saímos de restaurante a rir, mas a verdade é que se alguém se aproximasse de nós poderia cortar-se nos estilhaços dos nossos corações.

Quando cheguei a casa, tinha uma mensagem dele no telemóvel a dizer:
«Vi-te com ela a atravessar a rua. Sinto-me o homem mais triste do mundo»
Terá ela recebido a mesma mensagem?

Independentemente desta minha dúvida, esta mensagem foi o suficiente para me decidir a telefonar-lhe. Há muito tempo que não sabia nada dele, e que ele não ouvia falar de mim. Telefonei-lhe e combinamos encontrarmo-nos... reencontrarmo-nos... assim foi...

E acabei de chegar agora a casa, e no espelho do meu quarto vejo-me cansada. Estou com aquele ar de que gosto... de cara sonolenta, e com voz constipada...

Andava a irritar-me ter-lhe perdido o rasto, ele que foi uma grande paixão da minha vida, uma das pessoas a quem valeu a pena dizer "Amo-te", e por quem valeu a pena chorar quando seguimos vidas diferentes. Por isso, há muito tempo que eu queria um reencontro...

Esta noite, quando o vi chegar, de roupa escura, foi como se tivesse percebido que o tom do nosso encontro seria o mesmo... e foi... calmo, apaziguador, quase redentor... Houve em nós o brilhozinho de quem percorreu parte de uma vida em comum. Eu mais nervosa que ele... e ele mais emotivo que eu...

Ambos levamos presentes para este reencontro, que imagino não se repetirá nos próximos tempos. Eu dei-lhe um CD que sabia que ia gostar, e ele ofereceu-me um livro "útil", segundo disse... um dicionário a estrear, para eu não cometer erros... disse ele. A frase dele tinha o peso de quem sabia que quando tudo terminou, ainda poderia haver muito amor para viver.

Em nenhum momento do jantar lhe pedi desculpa, ou agarrei a mão como se lhe quisesse dizer "conta comigo", porque pessoas que se amaram muito, e nunca chegaram ao avesso do amor, precisam de dizer "conta comigo", ou "estou aqui sempre".

Lembrei-me de uma das últimas frases que me disse na derradeira conversa que tivemos: "Só desejo que encontres alguém que te faça feliz, já que eu não fui capaz. Só sabendo-te feliz conseguirei seguir o meu caminho, e tentar ser feliz também".
Só alguém que nos ama verdadeiramente encontra forças para dizer uma coisa destas, num momento destes.

Também me lembrei das noites de amor e paixão que tivemos, e perguntei-lhe pela família. Brindámos às nossas vidas, e ao futuro bom que um dia pensámos que seria nosso. Depois do vinho, do Whisky dele, e do meu licor para o lembrar doce, perguntei-lhe por fim: "Porque demoraste tanto tempo a vir jantar comigo?"
E ele a olhar para o copo, disse-me baixinho: "Porque ainda não é fácil"

Despedimo-nos com um abraço, daqueles que nos fazem perceber que ele ainda mantém o mesmo perfume, e que o meu ainda não mudou... Subi para casa sozinha... e chorei...

E aqui estou agora, sentada, a ver-me ao espelho. A culpa desapareceu, mas ficará para sempre o meu amor por ele.

As memórias servem para isto mesmo, uma pessoa mastiga-as e saboreia-as para que não fiquem amargas. Às vezes é preciso mergulhar no passado para saber saborear o presente.



Por vezes é preciso partir antes do tempo, dizer aquilo que mais se teme dizer, arrumar a cabeça, limpar a alma, e prepará-la para o futuro, acreditando que esse futuro é bom e que afinal já está perto.

Pensar que o tempo está a nosso favor, e que se encarregará de atenuar a nossa dor, e de a transformar numa recordação ténue, e fechada num passado sem retorno, que teve o seu tempo, e que um dia também teve o seu fim.

Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, deixar ficar para sempre no ar a dúvida se fizemos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito, somos outra vez donos da nossa vida, e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor.

Muitas vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, voltar a construir do zero, bater com a porta sem olhar para trás, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz, o cheiro, as mãos, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada palavra, cada promessa, cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta, e deitar a chave fora.

É preciso saber renunciar, não pedir, não dar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio, paz, e sossego, sem dor, sem tristeza, e sem medo de partir. E partir para outro lugar. Porque quem parte sabe para onde vai, escolhe o seu caminho, e mesmo que não haja caminho fica a certeza que fizemos bem, e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, e a lembrar, até se conformar, e um dia então esquecer...

Quando um coração se fecha, faz muito mais barulho que uma porta

A conversa continuou por mais algum tempo. Falámos de muita coisa, mas faltou sempre algo, que eu não sabia bem o que era... talvez sejam as palavras que ficam por dizer aquelas que melhor se ouvem...

Å®t Øf £övë - Ouve, andei a tentar mentalizar-me da realidade, e agora iniciei o difícil trabalho de arquivar as memórias em que partilhamos a mesma mesa, a mesma cama, os mesmos dias. Não te quero esquecer, não te quero apagar da minha vida, só não quero é que ocupes espaço dentro dela quando esse espaço já não me traz nada de real.

Dä®k Añgë£ - Mas eu ainda vivo do que fomos...

Å®t Øf £övë - Esperei muito tempo até ter força para isto. Esperei que me quisesses, que me desejasses, que sentisses a minha falta. Mas não quero, não posso e não devo esperar mais. O tempo virou-se contra mim e estende-se à minha frente como um campo de pedras, sem árvores nem caminhos, que nunca vou conseguir atravessar. E eu cansei-me de te vender o meu sonho de felicidade com palavras, e de te tentar convencer a ficar ao meu lado. À medida que o silêncio me foi comendo os dias, fui-me sentindo mais pequeno, mais idiota, e mais ridículo por te ter tentado convencer que a nossa relação era possível.

Dä®k Añgë£ - O amor é como uma sombra, se corresse atrás dela nunca a conseguia apanhar, se lhe virasse as costas seguir-me-ia para sempre, mas eu sempre fiz tudo ao contrário... não foi?

Å®t Øf £övë - Pois... mas agora é tarde. Agora já me sinto demasiado cansado para poder fazer mais do que afastar-me. O silêncio é a única força autorizada, a distância é a única saída possível. Por isso respeita o meu silêncio, respeita a distância, respeita a minha escolha, quando não me é permitida nenhuma outra. Prefiro seguir em frente, num caminho escolhido por mim, do que continuar parado em frente a um muro, uma torre, um abismo, uma nuvem, ou um caminho sem saída.

Dä®k Añgë£ - Fica descansado, que nunca mais vais ouvir falar de mim...


A maneira como nos víamos um ao outro era agora bastante diferente. Não sabia qual era o nosso futuro, nem sabia bem o que queria. Acabámos por não esclarecer bem as coisas. Pareceu-me que para ela esta simples conversa chegou, e que tinha ficado tudo bem.

Eu próprio nos dias que se foram seguindo comecei a aperceber-me que as coisas entre nós tinham acabado. Agora já só havia, talvez... amizade.

Fui compreendendo melhor aquilo que sentia, que era apenas alguma tristeza pelo facto das coisas se terem passado da forma que se passaram. Ao perceber isso, vi que estava agarrado a essa tristeza, e não ao amor que poderia existir entre nós. Assim, deixei que a paz e o silêncio inundassem o meu coração.

(continua)

Houve um silêncio, e a porta abriu-se. Ela apareceu, e convidou-me para entrar. Fomos para a sala, e ela reagiu um pouco como se não soubesse o que dizer ou fazer, estava estranhamente insegura.

Começou por fazer perguntas do género - Estás bom? - e começamos a falar sobre temas banais. Mas como não foi para isso que eu tinha ido lá, decidi interromper a conversa, e tentar esclarecer um monte de coisas que tinha por esclarecer há muito tempo.


Å®t Øf £övë - É melhor começarmos a falar sobre o que se passou, não achas?
(fez-se silêncio...)

Dä®k Añgë£ - Sim é melhor, queres começar tu?
(mais uma vez ela estava com medo de tomar a iniciativa para começar uma conversa. Que nervos que aquilo me metia...)

Å®t Øf £övë - Está bem...
(respirei fundo e comecei)
Eu gostava de começar por te dizer que estou muito triste, talvez porque depois de tudo o que aconteceu, eu estava à espera da mulher corajosa que eu conheci e admirava e ela não apareceu. Passaram-se tantas coisas, e sofremos tanto... parece que me deitaste fora, e nem sequer te dignaste a dizer-me uma palavra.

Dä®k Añgë£ - Eu não queria que fosse assim, só que aconteceu, e eu não pude evitar. A minha vida modificou-se, e daquilo que eu era nada mais restou. Eu perdi-me, e sobrevivo sem saber se ainda acredito no amor.

Å®t Øf £övë - Pelo menos podias ter-me dito alguma coisa, não achas?

Dä®k Añgë£ - O tempo foi passando... e a coragem faltando... quantas vezes eu pensei em dizer-te que o meu amor por ti não mudou.... mas o meu silêncio foi maior...

Å®t Øf £övë - Fazer as coisas custa! Era bom que não tivéssemos que sofrer para conseguir aquilo que queremos. Infelizmente isso nem sempre é possível, e na minha opinião, sofrer é duro, mas pior é não conseguirmos vencer os nossos medos.

Dä®k Añgë£ - Eu sei, falar é fácil, mas tu também não consegues fazer isso!

Å®t Øf £övë - Mas pelo menos tento!

Dä®k Añgë£ - Muito bem, e isso serve-te para quê? Para nada!

Å®t Øf £övë - Olha, vou ser muito sincero contigo. Tenho tido muitas saudades tuas... saudades dos nossos encontros, dos nossos beijos, das nossas conversas, de sermos felizes, de tu gostares de mim, e eu gostar de ti. Só que agora parece que tudo acabou, e o nosso amor deixou de existir.

Dä®k Añgë£ - Ouve...

Å®t Øf £övë - Espera deixa-me acabar. Houve uma altura em que eu julguei que podiamos ser felizes... pelo menos eu achava que sim...

Dä®k Añgë£ - É verdade eu também senti isso...

Å®t Øf £övë - Desde esse tempo mudaste muito, e eu queria somente que continuasses a ser tu própria mais nada...
(ela voltou a interromper)

Dä®k Añgë£ - Eu só queria dar um pouco de espaço à nossa relação. Quis distanciar-me, guardar-me, tentar o que nunca consegui, e se calhar nunca consegui porque nunca tive a coragem de tentar, que era afastar-me de ti. Procurei outras pessoas, outras coisas, percebes?

Å®t Øf £övë - Percebo o que tu dizes, mas não a razão de ter de ser assim...

Dä®k Añgë£ - Eu nunca te quis magoar, só que aconteceram algumas coisas que me fizeram mudar.

Å®t Øf £övë - Isso sei eu. Desde os tempos em que nos deixamos de ver, muitas coisas se passaram. Eu sei que também te magoei.

Dä®k Añgë£ - Eu não estou chateada contigo, só que andava um bocado cansada de tudo, e queria parar um bocado para descansar.

(continua)

Na nossa vida, às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar.

Outras vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem a dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhum pormenor, deixar tudo bem claro para que não restem dúvidas, e não duvidar nunca daquilo que estamos a fazer.

E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se oiça o coração a bater desordenadamente, é preciso acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar, e esperar, esperar que ele se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade...

Cheguei ao prédio dela, e fiquei à porta a pensar como é que ia começar a conversa. Esperei um bocado que o tempo passasse. Suspirei, respirei fundo, andei para trás e para a frente várias vezes. Estive quase a tocar à campainha, mas no último momento não toquei. Até que de repente fartei-me, deixei de pensar e simplesmente toquei.

Quem é? - perguntou uma voz pouco depois.
Sou eu - respondi. A porta abriu-se em seguida.


Apanhei o elevador, e à medida que me ia aproximando do piso onde fica o apartamento dela, ia-me sentindo estranhamente desconfortável. Fiquei cheio de esperança de ver de novo aqueles olhos grandes e brilhantes...

(continua)

Å®t Øf £övë - Não, nós prometemos não chorar. Talvez seja esta a última vez que tomamos café juntos, e talvez seja a última vez que nos vemos. Por isso procura entender-me, por favor...

Como verdadeira lembrança tua eu queria ficar com um sorriso... vá lá, eu quero um sorriso teu como última lembrança. Por favor não chores, não chores...

Lembras-te da tarde em que nos conhecemos? Foi lindo conhecer-te, e mais bonito ainda o que aconteceu entre nós. Mas já passou, já passou...

Agora é preciso que nos separemos, e devemos fazê-lo sem nenhum rancor. O nosso amor estava a transformar-se só em rotina. E o amor... o amor é uma outra coisa... O amor tem que ser alimentado todos os dias com pequenas coisas... Com pequenas coisas que nós já não temos.

O teu café está a ficar frio... Nenhum de nós é culpado, nenhum de nós. Cuidado... o empregado vem aí, e os outros estão a olhar, por favor... por favor não chores mais... não chores.

Dä®k Añgë£ - Mas eu amo-te, eu quero-te...

Å®t Øf £övë - Não, tu acostumaste-te a mim, o amor é outra coisa. Eu não te quero ver triste assim... Não fiques triste, porque o mundo é bom e a felicidade até existe.

Limpa essas lágrimas, pára de chorar, que tu vais ver que tudo vai passar, e tu vais sorrir outra vez. Eu só te quero ver sorrir... Limpa essas lágrimas, não chores nunca mais. Esquece o mal, tenta pensar só no bem, que assim um dia a felicidade vem ter contigo.

Agora eu vou embora, é o melhor para nós. Eu quero que tu tenhas sorte e que sejas muito feliz. Adeus, adeus...

Dä®k Añgë£ - Mas eu amo-te, amo-te, amo-te...

Dä®k Añgë£ - Porque é que me estás a telefonar a estas horas? hum...?
Å®t Øf £övë - É só para te dar um beijinho.
Dä®k Añgë£ - hum? que bom...
Å®t Øf £övë - Tinha tanta coisa para te dizer, mas não saberia por onde começar!!!

Dä®k Añgë£ - Podes começar por onde quiseres...
Å®t Øf £övë - Quero que estejas bem.
Dä®k Añgë£ - Agora já estou melhor.
Å®t Øf £övë - Não te quero ver sofrer, e muito menos fazer sofrer. Desculpa ter-me passado, não é habitual, mas por vezes também acontece, não sou de ferro...

Dä®k Añgë£ - Claro que sim...
Å®t Øf £övë - Prometo que não volta a acontecer. O nosso relacionamento nunca será mau nem uma tortura para nenhum de nós.

Dä®k Añgë£ - Não precisas prometer nada apenas te peço que continues sempre a desabafar comigo.

Å®t Øf £övë - Gosto de ti, sou teu amigo, quero estar contigo nos bons e maus momentos. Sinto saudades, sinto a tua falta, a tua ausência, e a culpa de tudo isto é minha.

Dä®k Añgë£ - Vá, não comeces... não é só tua...
Å®t Øf £övë - Leva o meu desatino como sendo comigo próprio e que deixei transparecer para ti injustamente.

Dä®k Añgë£ - Amor, não foi injustamente... afinal de contas é assim que os relacionamentos se constroem, ou não? Seria muito pior se sentisses tudo isso e não me demonstrasses.
Å®t Øf £övë - Sinto que devia passar mais tempo contigo, e isso fez-me revoltar.

Dä®k Añgë£ - Eu não fico chateada por isso, fico é triste por depois não conseguir lidar bem com isso.

Å®t Øf £övë - Gosto de quem sou quando estou contigo e só consigo ser eu próprio junto a ti. Sinto muito a tua falta.

Dä®k Añgë£ - Eu também sinto muito a tua falta.
Å®t Øf £övë - Quero estar contigo.
Dä®k Añgë£ - Quando? Como?
Å®t Øf £övë - Quero passar mais tempo contigo...

Dä®k Añgë£ - E vais fazer isso como?
Å®t Øf £övë - Não sei? o importante é estarmos juntos. Vou...
Dä®k Añgë£ - Tu não existes... decidiste assim, sem mais nem menos??
Å®t Øf £övë - Não foi sem mais nem menos. Tem a ver com a vontade de estar contigo, com a falta que tu me fazes.

Dä®k Añgë£ - Fico muito feliz.
Å®t Øf £övë - Eu só te quero ver feliz, e sinto que para isso também preciso estar mais próximo e é isso que quero.

Dä®k Añgë£ - Amo-te...
Å®t Øf £övë - Amo-te muito, fica bem que eu também estou bem quando sei que estás bem.

Dä®k Añgë£ - Beijo?
Å®t Øf £övë - Amo-te muitooooooooo...!!!

Foram horas infindáveis... Nessa noite não conseguia adormecer, ansiando pela chegada da hora do encontro. Pensava em tudo quanto te queria dizer... vezes sem conta.

Por fim, adormeci exausto. Sonhei contigo. No sonho, estávamos muito perto. Quase encostados. Mas não te conseguia tocar. Não que houvesse alguma barreira, mas de cada vez que te tentava dar a mão, encontrava apenas a minha. Aos poucos a noite foi passando, apareceu a luz do dia, eu acordei, e as horas pareciam não querer passar!!!

Eram vinte e três horas em ponto quando eu cheguei ao bar. Irrequieto, mal conseguia aguentar a demora da espera. Olhava para o relógio constantemente. À minha volta começava a ficar muita gente, a maioria acompanhada. Sozinho esperava pela tua chegada. Passaram-se os primeiros cinco minutos sem tu chegares...

Depois, mais cinco minutos... O relógio indicava serem vinte e três e quinze quando finalmente apareceste. Só então compreendi...

O tempo separa-nos sempre em quinze minutos.
Tu não chegaste a falar. Interrompi-te. Peguei-te nas mãos e disse-te: "Agora não posso, estou atrasado quinze minutos".

Como era de esperar, deste-me a volta, acabei por ficar, acabei por te amar. Por isso, é que ainda hoje estou contigo.

No entanto, sempre que combinamos uma hora para nos encontrar, tu chegas sempre quinze minutos atrasada... Mas agora tu já não dizes:
"Agora não posso, estou atrasada quinze minutos"

(Fim)

Os dias seguintes passaram-se sem tu apareceres. Mantinha sempre viva a esperança de te reencontrar a qualquer momento. Sem compreender porquê, sabia que não te era indiferente.

Forçava os mesmos lugares, à tua procura. Combatia o desespero, à medida que o tempo passava.
"Onde estarias?"- interrogava-me.

Sabia que não te queria esquecer. Pensava em ti constantemente, preso aos pormenores mais insignificantes. "Tu voltarias ao bar". Sentia que voltarias...

Passaram-se muitas semanas. Já quase tinha perdido a esperança de te encontrar. Lá estava eu no mesmo bar quando me senti subitamente observado...

Por entre a multidão, vi-te fixando o teu olhar em mim, seguindo os meus gestos. Por segundos fiquei sem reacção. Tu sorriste-me, fizeste-me um pequeno aceno com a mão. Os teus olhos brilhavam...

Lentamente, começaste a caminhar em direcção à porta. Corri na tua direcção. Quando cheguei perto tu já estavas dentro do carro, que entretanto entrava em movimento. Tu abriste a janela e ainda me disseste:
"Agora não posso, estou atrasada quinze minutos".

Não desisti, continuei a acompanhar com o olhar o andar ainda lento do carro, e gritei-te: "Se o que nos separa são apenas quinze minutos, diz-me uma hora e um local e eu estarei lá à tua espera".

Tu rabiscaste numa folha de papel, e atiraste-a pela janela do carro. Baixei-me a apanhá-la. Tinha escrito...
"Amanhã às vinte e três horas. Aqui no bar"
Quando levantei os olhos já o carro se afastava rapidamente...

(continua)

No dia seguinte voltei ao mesmo bar, à mesma hora. No bar estava uma multidão, de onde eu esperava ver-te surgir a qualquer instante.

Estava sozinho a ouvir a música, a noite a passar, e eu a desesperar por não te encontrar. Durante esse tempo, dirigi-me vezes sem conta para a porta.

Enquanto o tempo passava, a minha cabeça pendia cansada sobre o pescoço, que descaía vencido no meio dos ombros, sobre o corpo encostado ao balcão. Ausente... não me apercebi que o bar esvaziava...

Lá muito ao longe senti de novo o teu perfume. Quando olhei, vi-te de novo luminosa... mais real. Aproximaste-te, e de seguida colocaste a tua mão suavemente sobre a minha boca, fazendo-me sinal para não falar. Chegaste-te mais perto de mim, deste-me um beijo com carinho, e disseste-me:
"Agora não posso, estou atrasada quinze minutos".
No início, não quis aceitar.

Mas o vazio provocado pela tua partida fez-me compreender que mesmo sem eu querer, estava apaixonado por ti perdidamente, por uma estranha que nem conhecia direito!!! Ao medo sucedeu-se entusiasmo e alegria. Mesmo sabendo que sacrificaria desta forma o tipo de vida que vivia, não me importava.
Estava disposto a pagar qualquer preço para voltar a ver-te de novo...

(continua)

Quase sem querer o meu olhar cruzou-se com o teu... Surpreendido voltei a olhar com curiosidade, fixei primeiro os teus lábios e só depois, de novo, o teu olhar.

De repente na tua cara abriu-se num sorriso maravilhoso. As luzes daquele bar realçavam a tua beleza frágil, quase irreal!!! De uma atracção quase irresistível. Instintivamente aproximei-me...

Quis falar-te, mas tu baixaste os olhos, e discretamente consultaste o teu relógio. Por breves segundos hesitaste... e com nervosismo olhaste em teu redor. Trocámos algumas palavras, mas por pouco tempo... inclinaste-te e disseste-me ao ouvido: "Agora não posso ficar, já estou atrasada quinze minutos. Tenho que ir embora". Depois desapareceste.

Fiquei ali, quieto, a sentir o teu perfume... obcecado pela tua imagem... prolongando aqueles segundos na minha imaginação. Por momentos era invadido por uma onda de entusiasmo, para logo de seguida cair em profundo estado de apatia e de duvida...
Voltaria de novo a encontrar-te?

(continua)

Dä®k Añgë£ - Para onde vais, hum?
Å®t Øf £övë - Para o meu lado da cama...
Dä®k Añgë£ - Mas desde quando tens lado na minha cama???

Å®t Øf £övë - Não tenho???? Tens razão, desculpa, desculpa!!!
(Aproximas-te, olhas-me nos olhos e dás-me um beijo)
Dä®k Añgë£ - Óh, não sejas assim... Prometo que não volto a dizer isto. Amas-me?
Å®t Øf £övë - Porque me estás a perguntar isso?
(Voltas a fazer a pergunta)

Dä®k Añgë£ - Amas-me?
Å®t Øf £övë - Oh, tu sabes a resposta...
Dä®k Añgë£ - Olha para mim e diz que me amas.

Å®t Øf £övë - Sim amo-te, amo-te muitooooooo
Dä®k Añgë£ - ahahahah, eu sabia, eu sou poderosa...
Å®t Øf £övë - Tu és é convencida, isso sim...

Dä®k Añgë£ - Óh não sejas mau para mim... sabes uma coisa?
Å®t Øf £övë - Hum... diz lá...
(Abraças-me e dizes)

Dä®k Añgë£ - Também te amo, assim muito muito muito...
É que custa-me viver longe de ti... esta distância que nos separa só nos faz mal, só nos magoa... e faz-me por vezes dizer coisas que não queria... desculpa o que eu disse.
(Desculpo-te e volto a ser teu, porque...)

Eu quero-te...
Eu quero olhar para o teu sorriso e saber que sou eu quem te faz rir
Eu quero olhar para os teus olhos e saber que é por mim que eles brilham
Eu quero fazer-te sonhar...

Eu quero que voes comigo
Eu quero fazer mil e uma loucuras contigo
Eu quero beijar-te, tocar-te , amar-te...
Eu quero-te só para mim

Eu quero sentir o teu toque
Eu quero levar-te à loucura
Quero que olhes para mim e digas que és minha, que eu sou teu, que somos um só...
Quero que me abraces forte, enquanto os nossos corpos se tocam e batem no mesmo ritmo

Eu quero fazer-te feliz
Eu quero levar-te ao céu...
Eu quero-te, porque sei que também me queres, e também me desejas... como no primeiro dia em que os nossos olhares se cruzaram
Eu quero e vou fazer-te feliz...

Dä®k Añgë£ - ...sinto-me sempre diferente dos outros por nunca esquecer uma relação. As pessoas têm um caso ou até uma relação duradoura, separam-se e esquecem. Como se tivessem mudado de marca de cereais.

Eu nunca consegui esquecer alguém com quem me envolvi. Porque cada pessoa tinha as suas qualidades especificas. Nunca se pode substituir ninguém. Sofro com cada relação que acaba. Nunca recupero completamente. Por isso tenho muito cuidado em envolver-me, porque sofro demasiado. Nem uma relação ocasional quero, porque terei saudades das coisas mais banais. Sou obcecada em pequenas coisas. Talvez seja maluca...

Vejo nas pessoas pormenores, tão únicos em cada uma delas que me tocam e de que tenho e terei sempre saudades. Nunca se pode substituir ninguém, porque toda a gente é feita de pormenores belos e únicos.

Å®t Øf £övë - Onde raio estiveste todo este tempo?
Dä®k Añgë£ - Não sei (risos), mas pensaste que eu estaria aqui, hoje?
Å®t Øf £övë - Que hipoteses achas que teriamos de nos encontrarmos?

Dä®k Añgë£ - Quase nenhumas. Mas nós não somos reais, pois não? Somos personagens de um sonho. Creio que quando se é jovem se acredita que haverá muita gente a quem nos ligaremos. E mais tarde compreendemos que poucas vezes isso acontece!!!

Å®t Øf £övë - E pode-se estragar tudo... Perder a oportunidade...
Dä®k Añgë£ - Estava destinado a ser assim.
Å®t Øf £övë - Acreditas nisso? Que tudo está destinado?

Dä®k Añgë£ - O mundo pode ser menos livre do que nós pensamos. Então, como é ser casado? Não falaste muito sobre isso.

Å®t Øf £övë - Não falei?... Que estranho... Não sei ... Porque será...? Conhecemo-nos quando ela estava na faculdade e depois... casamos...

Dä®k Añgë£ - Como é ela?

Å®t Øf £övë - Uma boa mãe, é inteligente, bonita... Recordo-me de pensar na altura, que pouco importava com quem ia casar, que ninguém vai ser tudo para mim, e que feitas as contas, é a acção de te comprometeres, de assumires as tuas responsabilidades que conta. O que é o amor senão respeito, confiança, admiração... E eu sentia todas essas coisas. Agora sinto que dirijo um pequeno infantário com alguém com quem costumava sair. Sou como um monge. Fiz amor menos vezes do que eles nos últimos quatro anos.

Dä®k Añgë£ - (risos)
Å®t Øf £övë - Ris-te de mim? Pareço patético?
Dä®k Añgë£ - Em que mosteiro de monges se faz amor...?

Å®t Øf £övë - Pronto, tenho mais sorte que a maioria dos monges... Mas sinto que se uma mulher me tocasse, me decomporia em moléculas...

Dä®k Añgë£ - Lamento saber que não és feliz com o teu casamento. Esperavas, depois de viveres uns anos apaixonadamente, que aquele intenso desejo se mantivesse o mesmo do início? É impossivel... vocês acabariam com aneurismas nesse constante estado de excitação. Acabariam por nada fazer das vossas vidas. É natural para a tua mulher, depois do nascimento das vossas crianças ter de dar todo o seu amor a elas. Imagina que ela estava completamente obcecada com o sexo. Não faria sentido, pois não?

Å®t Øf £övë - Tens razão. Tudo que dizes faz sentido. Não se trata de sexo...

Dä®k Añgë£ - Eu sei. É obvio. Tu precisas de te sentir essencial e já não és. Há muito que tens na cabeça a ideia de seres o sustentáculo da tua mulher.
Olha para mim... eu sou uma mulher forte e independente na minha vida profissional. Não preciso de um homem que me sustente, mas continuo a precisar de um homem que me ame e eu possa amar. Acabei por pensar que é melhor eu não romancear tanto as coisas. Sofri sempre tanto. Ainda tenho muitos sonhos, mas não relacionados com a minha vida amorosa. Não fico triste por isso, as coisas são como são. É obvio que não sei lidar com o dia-a-dia de uma relação. A presença constante de alguém sufoca-me.

Å®t Øf £övë - Mas disseste que precisas de amar e ser amada...

Dä®k Añgë£ - Mas quando isso acontece, depressa fico saturada. É um desastre. Só sou realmente feliz quando estou sozinha. Porque estar sozinha é melhor do que estar ao lado de alguém e sentir-me só. Para mim não é fácil ser romântica. Começo, e depois de ter sido maltratada umas quantas vezes, esqueço as minhas espectativas e aceito o que a vida me der... bem, isto nem é verdade... eu não fui maltratada... apenas tive demasiadas relações chatas. Eles não eram maus... preocupavam-se comigo, mas não havia um elo emocional entre nós. Pelo menos da minha parte.

Å®t Øf £övë - Sinto muito, a coisa é assim tão má? Não é, pois não?
Dä®k Añgë£ - Nem sequer é isso... eu estava bem até te encontrar. Tu mexeste comigo...
Å®t Øf £övë - Não acredito nisso!!!

Dä®k Añgë£ - Sabes, a realidade e o amor são contraditórios para mim. Mas o que significa o homem certo? O amor da minha vida? O conceito é absurdo. A ideia de que só posso estar completa com outra pessoa é errada.

Å®t Øf £övë - Posso falar...?

Dä®k Añgë£ - Acho que fui magoada, demasiadas vezes, e depois recuperei. E agora, desde o início, não faço o menor esforço. Sei que não resultará.

Å®t Øf £övë - Não podes viver a vida a tentar evitar a dor à custa de...
Dä®k Añgë£ - Isso são palavras. Eu tenho de me afastar de ti... Pára o carro... Quero sair...
Å®t Øf £övë - Não saias... Vamos continuar a conversar.

Dä®k Añgë£ - Não me toques.
Å®t Øf £övë - Eu estou tão feliz por estar contigo...
Dä®k Añgë£ - Vens ter comigo todo romântico e... casado... Vai-te lixar... Não me interpretes mal... Não quero envolver-me contigo... Só me faltava um homem casado...

Å®t Øf £övë - Estou muito feliz por te ter encontrado. Gosto de ti, gosto de estar contigo...

Dä®k Añgë£ - E eu sinto o mesmo... Desculpa... Não sei o que se passou... Eu tinha de desabafar...

Å®t Øf £övë - Não te preocupes com isso. Sou tão infeliz na minha vida amorosa, na minha relação. Procedo sempre como se estivesse distante. Mas estou a morrer por dentro. Estou a morrer porque estou entorpecido. Não sinto dor ou excitação. Nem sequer sou amargo... A minha vida é incessantemente má.

Dä®k Añgë£ - Sinto muito.

Å®t Øf £övë - Eu só me sinto feliz quando saio com as crianças. Eu não a amo da maneira que ela necessita ser amada. Nem sequer acredito no nosso casamento, mas depois olho para as crianças, sentadas à mesa diante de mim, e penso que sofreria qualquer tortura para estar com elas todos os minutos da vida delas. Não quero perder nem um. Mas não há alegria nem riso na minha casa, e eu não quero que elas cresçam assim.

Dä®k Añgë£ - Não há riso? Isso é horrivel...

Å®t Øf £övë - Não quero ser desses homens que se divorciam aos 52 anos, admitindo que há muito não amavam a mulher, e que a sua vida tinha sido sugada por um aspirador. Eu quero ter uma vida feliz, quero que ela tenha uma vida feliz, ela merece isso. Vivemos um casamento baseado em responsabilidades, em ideias de como é suposto as pessoas viverem. Depois tenho sonhos...

Dä®k Añgë£ - Que sonhos?

Å®t Øf £övë - Tenho sonhos... em que estou numa estação de comboio, e tu passas num comboio... e passas... e passas... e passas... depois acordo... e a minha mulher está a olhar para mim, e eu sinto que estou a quilometros de distância dela... sei que há algo errado, que não posso continuar a viver assim, que o amor tem que ser algo mais que um compromisso. E então, penso que posso estar a abdicar da ideia de amor romântico, penso que posso estar a fazer isso.

Dä®k Añgë£ - Porque me dizes tudo isso?
Å®t Øf £övë - Desculpa, não sei. Não devia ter falado.

Dä®k Añgë£ - É tão estranho... as pessoas pensam que são as únicas que têm problemas. Pensei que a tua vida era perfeita. Uma mulher, filhos... mas a tua vida pessoal é mais caótica que a minha. Desculpa. (risos)

Å®t Øf £övë - Ainda bem que isso te faz rir... É aqui que moras? Estás aliviada por a minha vida ser pior que a tua?

Dä®k Añgë£ - Sim. Fizeste-me sentir melhor.
Å®t Øf £övë - Optimo. Fico contente.

Dä®k Añgë£ - Quero experimentar uma coisa... Abraça-me... Quero ver se ficas inteiro ou se te decompões em moléculas.

Å®t Øf £övë - E então...?
Dä®k Añgë£ - Não, continuas aqui.
Å®t Øf £övë - Optimo. Gosto de estar aqui. O teu apartamento é este?

Dä®k Añgë£ - Não, moro ali.
Å®t Øf £övë - Ali? Vou acompanhar-te à porta.
Dä®k Añgë£ - Isso dos sonhos é verdade, ou disseste-o na esperança de ires para a cama comigo?

Å®t Øf £övë - Era para ir para a cama contigo. Uso sempre esse esquema. (risos)
Dä®k Añgë£ - E resulta?
Å®t Øf £övë - Às vezes. Sabes,estava a pensar... deixas-me subir um bocado?

Dä®k Añgë£ - Vais atrasar-te.
Å®t Øf £övë - Não, não vou.
Dä®k Añgë£ - Está bem... mas rapidinho... senão vais atrasar-te.
Å®t Øf £övë - Eu sei... mas eu não quero perder nem mais um minuto da minha vida...

Estávamos no verão... A noite estava quente, mas chuvosa com pancadas fenomenais. Eu não vi, porque apanhei uma grande bebedeira e dormi mais de dez horas, o dia amanheceu com o chão molhado e uma temperatura agradável.

Aproveitei e fui para a esplanada ler um bocado. As pessoas que a frequentam todos os dias estavam todas sorridentes e felizes. As árvores estavam lindas, cheias de folhas. Sentei-me no meu canto predilecto da esplanada, numa cadeira de madeira, abri o livro que estava a ler... A minha atenção às vezes era afastada da leitura pelas pessoas que passavam...

Uma velha senhora que todos os dias passeava com os seus três cães e nunca deixava de me dizer bom dia ao passar por mim. Um estrangeiro que falava algumas, poucas palavras em português, e de cada vez que me via tentava conversar comigo. Meninas belas que corriam ou caminhavam pelo passeio e que sempre atraíam a minha atenção. Eu respondia quando era cumprimentado, devolvia os sorrisos que recebia, lançava olhares interessados para as mulheres belas que passavam por mim e voltava à minha leitura.

A manhã passava calmamente e eu já estava a ler há mais de uma hora quando a minha atenção foi atraída por uma mulher que vinha a caminhar pelo passeio. Era a miúda da loja do shopping. Eu nunca a tinha visto fora do seu ambiente de trabalho e fiquei maravilhado naquele momento. É uma loja do shopping onde podemos encontrar sempre aquela roupa de que gostamos.

Quando eu lá entrei pela primeira vez uma miúda atrás do balcão disse-me olá e deu-me um sorriso. Fiquei imediatamente apaixonado por aquela miúda. Eu nunca tinha visto uma mulher com um sorriso tão bonito. Era cativante, espontâneo e fazia dela uma pessoa linda, mesmo vestida com um uniforme largo que escondia a sua forma de mulher e usava um lenço na cabeça que não deixava ver se os seus cabelos eram compridos ou curtos nem a sua cor. Tudo o que se via dela era a sua cara. Os olhos eram azuis e brilhantes, e o seu sorriso era deslumbrante. Era ela quem caminhava nessa manhã pelo passeio da esplanada.

Em vez do uniforme ela vestia uns calções curtos e apertados, t-shirt, e calçava um par de ténis cor-de-rosa. O seu corpo era perfeito e bastou olhar para ele para eu ficar ainda mais apaixonado. Os calções, de material sintético, colado e ajustado no formato do seu corpo mostravam claramente as suas formas que eram fenomenais. As suas coxas lisas e longas eram desejáveis e belas. Os seus seios eram rijos com parte deles expostos pela cava da t-shirt e a parte escondida parecia querer romper o tecido fino que os prendiam. Dava para ver claramente o formato dos dois mamilos grandes.

Ela passou por mim e presenteou-me com o seu sorriso que era único e o mais belo que eu já tinha visto. Senti que o meu corpo todo ardia e vibrava de desejo. Ela foi andando com classe enquanto eu apreciava o seu cabelo liso e longo. Uma cintura fina que realçava com o balançar do seu andar num ritmo inebriante e sedutor. Eu senti pena de mim. Tinha de me contentar em receber o seu sorriso, ficar por ele deslumbrado, sem poder dizer-lhe o que se passava comigo.

Em apreciar o seu corpo e deseja-lo ardentemente, coisa que ela só saberia se conseguisse ler esse desejo no brilho dos meus olhos. Guardei o livro que lia no bolso, porque tenso e cheio de desejo como eu estava não conseguiria concentrar-me mais na minha leitura. Fui passear pelo passeio a pensar naquela miúda.

"Fechei os olhos"... e ela aparecia à minha frente. Dirigia-se até mim e colava os seus lábios nos meus. Nossas línguas trançaram-se num beijo longo e apaixonado...


- Å®t Øf £övë : Desculpa, não está a correr bem, pois não?

- Dä®k Añgë£ : Lá vamos nós... Diz!!! Diz o que vais dizer.

- Å®t Øf £övë : Acho que um de nós devia mudar-se.

- Dä®k Añgë£ : Eu também acho.

- Å®t Øf £övë : Lamento.

- Dä®k Añgë£: Lamentas o quê?

- Å®t Øf £övë : Lamento que não tenha corrido bem... Preciso de algum tempo.

- Dä®k Añgë£ : Que diabo quer isso dizer? Começaste cheio de força e acabas como um fraco... Desistes...

- Å®t Øf £övë : É o que estou a fazer.

- Dä®k Añgë£ : Vamos lá ver a tua cara... Importas-te que eu acenda a luz? Acho que já estivemos muito tempo no escuro... Sei porque é que me vou embora... O que foi que te fez arrefecer? A mudança radical na tua vida? Ou receias que possa aparecer alguém melhor enquanto estás comigo?

- Å®t Øf £övë : Porque é que não podes ver as coisas como são? Nem mais nem menos.

- Dä®k Añgë£ : E como é isso? Duas pessoas comprometidas a dormir juntas até se fartarem uma da outra?

- Å®t Øf £övë : Não quero casamento. Não quero filhos. Não quero compromissos. Não estou feliz. Já não te amo.

- Dä®k Añgë£ : Optimo. Vou-me embora. Acabou. Podes voltar a fazer o que queres, com quem quiseres, e onde quiseres.

- Å®t Øf £övë : Sais daqui a saber uma coisa. Nunca te enganei.

- Dä®k Añgë£ : Mereces uma medalha. Não sabia que era assim tão grande o sacrifício.