Profile | Portofolio | email |

Já dizia Soren Kiekegaard:
"Arriscar-se é perder o pé por algum tempo. Não se arriscar é perder a vida..."

É ao pensar nesta frase que eu perco o medo de amar, porque mais do que dúvidas aquilo que me perturba é o medo de sofrer, ou em algum momento, o medo de ser amado e não ter a capacidade de amar... Mas sem experimentar não há como acabar com as dúvidas...

De nada me vale refugiar-me numa couraça, de nada vale não sentir as emoções, porque a vida quer se queira quer não, será sempre um risco... não há como o evitar. Se conseguir pensar assim vou-me tornar mais disponível para amar, sem medos, e esquecer os possíveis sofrimentos que possa ter sentido no passado, porque esse mesmo passado vai-me servir de bagagem para não ser tão inocente... para ser mais maduro, e mais experiente.

Tenho que encarar o medo de me entregar e de poder eventualmente sofrer, como uma fantasia que me habita o imaginário, porque tudo isso está no futuro, e eu por muito que queira não tenho a capacidade para adivinhar o futuro. Por isso não vou desistir de mim mesmo, não vou desistir do que desejo, não vou desistir dos meus sonhos...

Eu sei que os "ses" não nos ajudam a andar para a frente, porque são bem capazes de nos prender os movimentos se não os soubermos usar como motores para nos fazer seguir em frente na vida.
Os "ses" fazem parte da vida, porque se não fossem eles, se não nos interrogássemos, se calhar seria porque não existíamos. Os "ses" comandam uma boa parte da nossa vida, porque os sonhos dependem dos "ses" da vida.
Parece que é mesmo assim... cada um de nós tem uma "pasta" cheia de "ses"... faz parte... assim como faz parte cada um de nós ser um "se" na vida de alguém.

Gosto de simplesmente gostar, porque gostar tem que ser sempre livre, simples... e quem sabe definitivo. Deparamo-nos com alguém, gostamos e pronto... não é preciso porquês, previsões, instruções, ou explicações. É verdade que nem sempre se pode ter quem se gosta, mas isso não tem tanta importância assim, porque o gostar não inclui posse. É um gostar sem desejar... será isso possível?

Gostar não pode ser visto como um acto, uma decisão, e muito menos uma imposição. Não é importante se é conveniente ou sensato gostarmos, porque só o facto de experimentarmos essa sensação, é por si só uma felicidade.

Gostar é simples, o que às vezes complica o gostar, é não gostar de gostar, travar essa sensação livre e espontânea, não deixar o gostar seguir o seu próprio caminho, até criar a sua história, cumprir o seu tempo, e dar lugar a novos gostos.

Desejo que o teu desejo seja igual ao meu desejo... que seja o desejo de desejar desejosa de muitos desejos. E assim de desejo em desejo, aquilo que eu desejo é estar contigo num carrossel, com os nossos desejos e o nosso mundo a girar. Eu tonto de desejo a pedir-te para continuar, falando-te de amor e paixão, deixando o prazer e a emoção nos levar...

Ninguém te amou como eu
Ninguém te quis como eu quis
Ninguém te viu feliz como eu
Ninguém te magoou como eu, como eu

Como eu, ninguém esperou
Como eu, e acreditou
Que tudo se pode perdoar
Só à força de te amar

Sentado à beira-rio
Eu vejo-o correr
Ter a vida por um fio
Deitá-la a perder
Como eu

Como eu, ninguém esperou
Como eu, e acreditou
Que tudo se pode perdoar
Só à força de te amar
Só à força de te querer
Sentir o amor escapar
Por entre os beijos fugir
Por entre as mãos escapulir
Como eu
Como eu

Tema: "Deitar a Perder" - Xutos e Pontapés

Eu não tenho propriamente um baú onde guardo tralha... mas tenho um baú de recordações que abro muitas vezes... sem medos... e nele costumo encontrar para além de algumas músicas, também recordações dos tempos em que para mim tudo me parecia fácil e simplificado. Em que eu, como tanta gente, achava que sabia tudo, e que conseguia resolver tudo.

Como se costuma dizer... "se soubesse o que sei hoje..." - Porque será que todos nós temos sempre uma fase em que temos a mania que tudo sabemos, e mais tarde, quando recuamos no tempo, e abrimos o tal baú, acabamos por chegar à conclusão que nada sabíamos, e que de sábios nada tínhamos?

As mulheres quando estão sozinhas não trocam o sofá por nada, porque ele é bom e seguro, e sempre se poupa nos sapatos. Mas às vezes é preciso dizer não ao sofá, e sair de casa. Porque será que nunca se vê uma mulher bonita a jantar sozinha? Será que alguém a pode comer? Mas isso também não pode acontecer quando se está acompanhada?

Uma mulher bonita à mesa é um prazer, por isso me pergunto muitas vezes porque terão elas medo de ser vistas sozinhas num restaurante ou num bar à noite?
"Então? Também estás cá? Esperas alguém?"
"Não. Estou a jantar sozinha."
"Desculpa?! Olha, eu sentava-me aqui contigo, mas tenho ali o meu namorado à espera."

A resposta a uma situação destas deveria ser: "Mas quem te disse que eu queria companhia?"

Já num bar, dá para imaginar que enquanto ela está no balcão a beber o que gosta, aproxima-se logo um gajo que se cola ao banco e lhe pede lume. Mas como ela não fuma, ele diz: "Que pena". Certinho, certinho será quando os copos tomarem conta dele, ele voltar à carga com uma pergunta qualquer descabida, e ela lá terá que ter o trabalho de evitá-lo. E se por acaso no bar onde ela se encontra entrar uma "amiga", ela certamente irá logo comentar com os outros: "Coitada dela. Agora sai sozinha. Deve andar à procura de companhia. Olha que ela não tem mesmo sorte".

Eu pessoalmente admiro muito as mulheres que não precisam de ninguém para sair. Mulheres que se arranjam para estar bem com elas próprias. Mulheres que deixam o sofá sozinho em casa. Até porque, eu falo por experiência própria, só custa a primeira vez.

O País tem estado em alerta devido à tempestade que temos tido, e eu consegui chegar a casa sequinha, porque a tempestade protege sempre as tempestuosas como eu. Gosto de chegar a casa e encontrar o calor do lar, que tem sempre para mim o sabor de reconciliação com o mundo. Mesmo eu que tanto gosto de fazer faísca, não prescindo desse conforto.

Mergulhei na banheira, que enchi de espuma, e estranhamente, pela primeira vez desde que moro neste prédio, comecei a ouvir os risinhos da minha vizinha. Eu nunca tinha ouvido a rapariga a rir!!! Mas mal eu sabia que era apenas e só o princípio da tempestade...

Ela vive com um gajo por quem eu não tenho grande empatia. Ele é esforçado, mas eu chuto-o para canto. Quando os risinhos começaram eu estava a brincar com o patinho de borracha na banheira... e risinho puxa risinho (enquanto o tempo puxava chuva), e o gajo deve ter começado a puxar por ela... ela parecia um trovão a abanar as janelas... ofegante e torrencial, gritando... "sim e sim e siiiiiiiim!!!"

E não pensem que a cena foi nuvem passageira. Não... a tempestade parecia da grossa (se me permitem a expressão). A vizinha estava a ser duramente fustigada pelo dilúvio, e eu ali a espumar-me de raiva, com o patinho já murcho de tanto banho.

Das duas, uma: ou entre eles só há faísca em dias de tempestade, ou era o tempo que trazia até minha casa o eco deles. Nessa noite quase adormeci na banheira, e até aproveitei o barulho dos outros para fazer o meu...

Será que de mim também ficaram a pensar que é só em dias de tempestade??? Será que ouviram o meu patinho??? Para saber, vou ter que esperar pelas próximas chuvadas, sem descurar as boas abertas...